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6 coisas que você precisa saber sobre o suicídio

É um tema sempre muito complexo, rodeado de preconceitos e tabus, como quase todos os temas em Saúde Mental. Porém, em um mundo que está progressivamente doente, com índices preocupantes de pessoas que cometem ou tentam suicídio, precisamos parar e refletir um pouco.
Longe de tentar esmiuçar o tema, minha intenção com esse texto é comentar algumas coisas que precisamos saber sobre isso. Separei seis:
1) Não é só para chamar a atenção. Claro que existem exceções, mas a realidade é que aproximadamente 90% das pessoas que tentam suicídio são acometidas por algum transtorno mental grave. Justamente por isso, quando uma pessoa tenta suicídio, é muito difícil entender as motivações que a levaram aquilo. O mais correto é entender a tentativa como um sintoma de um problema maior, como um alarme.
2) Perguntar não machuca. Você não precisa ter medo. Estudos mostram que, na esmagadora maioria das vezes, falar sobre as ideias suicidas vai fazer uma pessoa desistir ou pelo menos diminuir a força do pensamento de morte. Então, pergunte de maneira sinceramente interessada, quando você achar que uma pessoa possa estar contemplando a ideia da morte.
3) Suicídio é “contagioso”? Na verdade, não. O que ocorre em muitos casos é que com uma contínua exposição de notícias sobre suicídio na mídia, uma pessoa que já estava propensa pode acabar por cometer o ato. Já foram relatados vários fenômenos do tipo. Um exemplo é o que ocorreu em uma pequena comunidade dos EUA, onde em um período de 7 semanas após o suicídio de um adolescente, cinco outras tentativas foram registradas.
4) Se não vai ajudar, não atrapalhe. Frases como “Você precisa lutar contra isso” ou “Vai dar tudo certo” mais atrapalham do que ajudam. A primeira não leva em conta que a doença mental pode estar fora do controle daquela pessoa. E a segunda pode ser interpretada como um desinteresse em ajudar. Uma pessoa com a saúde mental prejudicada não precisa nem de “auto-ajuda” e nem de uma “palestra motivacional”. Ela precisa de caminhos concretos para resolver seu problema (tratar a doença).
5) Amor não é o mesmo que pena. Pessoas com sofrimentos mentais não são “coitadinhos”. Elas são pessoas com uma doença, um problema a ser resolvido. Quando olhamos com olhos de pena, só pioramos um sentimento que ela pode ter: invalidez. Ajudar uma pessoa significa, na medida do possível, caminhar com ela – e não carregá-la nas costas. Significa fazer aquilo que ela não consegue fazer e deixar que ela faça aquilo que pode fazer por si mesma.
6) Precisamos de um especialista. Claro, uma pessoa com pensamentos de desânimo e suicídio precisa de apoio profissional. E quanto mais “planejado” (data, local e maneira definidos) aquele pensamento estiver, mas urgente é o caso. Então, ajude aquela pessoa a entender que ela precisa de ajuda psiquiátrica e psicológica. Deixe sempre claro que você não acha que ela é louca ou coisa do tipo, mas que você quer ajudá-la.

Espero que essas dicas possam ser úteis a você que lê esse texto.
Porém, se você está passando por um sofrimento muito intenso e está pensando em tirar a própria vida, não passe por isso sozinho. Converse com alguém. E, se você pensa que não tem ninguém com quem você possa conversar, mande uma mensagem para a Primeira Essência e nós teremos o prazer de ir até você para te ouvir.

Fernando Monteiro
Olá. Meu nome é Fernando. Sou médico-residente em Psiquiatria. Gosto muito de ler. Meus temas preferidos são: Religião, Filosofia, Cultura, Política e Medicina.
  • Como Deus poderia permitir? » Blog Primeira Essência - […] Por sorte, eu havia refletido e pesquisado persistentemente sobre essa questão alguns anos antes dessa interessante conversa que relatei acima. Ao longo dessa pesquisa, me deparei com as interessantes ideias de um dos maiores intelectuais cristãos vivos, o filósofo Frederick Antony Ravi Kumar Zacharias, ou como ele prefere ser chamado: Irmão Ravi. Sua história é muito longa para ser contada em um post. Porém, posso dizer que ele começou sua jornada cristã em uma cama de hospital após uma tentativa de suicídio. (Inclusive, se você tiver interesse sobre o assunto, já escrevi esse texto sobre suicídio.) […]respondercancelar

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