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Como Deus poderia permitir?

Há alguns anos, após ter participado da adoração em uma igreja no interior de São Paulo, fui parado por uma das pessoas que ali estava. “E você ainda permanece cristão?” perguntou ela, referindo-se ao fato de eu estar me formando em Medicina. Certo de que aquela conversa poderia ser muito interessante, pedi que ela explicasse um pouco melhor seu questionamento. Ela prosseguiu: “Vocês, médicos, convivem com tantos sofrimentos e problemas todos os dias. Você não se pergunta como Deus poderia permitir tudo isso?”.

Ela estava me trazendo uma das maiores e, em minha opinião, mais difíceis questões pelas quais um ser humano pode passar pela sua vida. Os estudiosos a apelidaram carinhosamente de Problema do Mal. Há como conciliar a existência de um Deus bondoso e poderoso (como o cristianismo propõe) e a existência de tanto mal e sofrimento no mundo? Algumas pessoas dizem que sim. Outras dizem que não. Como poderíamos começar a pensar sobre esse assunto levando em conta, ao mesmo tempo, nossa capacidade de raciocínio e nossas experiências de sofrimento?

Por sorte, eu havia refletido e pesquisado persistentemente sobre essa questão alguns anos antes dessa interessante conversa que relatei acima. Ao longo dessa pesquisa, me deparei com as interessantes ideias de um dos maiores intelectuais cristãos vivos, o filósofo Frederick Antony Ravi Kumar Zacharias, ou como ele prefere ser chamado: Irmão Ravi. Sua história é muito longa para ser contada em um post. Porém, posso dizer que ele começou sua jornada cristã em uma cama de hospital após uma tentativa de suicídio. (Inclusive, se você tiver interesse sobre o assunto, já escrevi esse texto sobre suicídio.)

Uma das observações de Ravi sobre a questão do sofrimento e sua relação com a existência de Deus é o juízo de valor contido na pergunta: “Como Deus poderia permitir tanto sofrimento?”, que tanto fazemos. Note que ao levantar essa pergunta estamos automaticamente pressupondo que a vida (humana ou não), tem um valor e todo tipo de sofrimento é um golpe infligido a esse valor. E, por isso, parece muito difícil conceber um Deus bondoso coexistindo passivamente com as dores que afetam os seres vivos.

Entretanto, esse valor que estamos pressupondo não é algo arbitrário. Estamos realmente dizendo que toda vida tem um valor inestimável e intrínseco. Quando digo intrínseco, quero dizer que esse valor é algo inerente, essencial do próprio ser vivo. Não dependemos de uma lei nos dizendo o valor da vida de uma criança. Simplesmente partimos do princípio que a vida dela tem um valor para, só então, formularmos leis para protegê-la. Da mesma forma, quando dizemos que toda vida tem um valor, estamos dizendo que um ser vivo tem seu valor simplesmente por ser vivo.

Mas, e é agora que as coisas começam a ficar interessantes: esse tipo de valor não pode existir de verdade se tudo surgiu do mero acaso. Se não há Deus, tudo o que existe hoje não passa de um acidente no curso da evolução do Universo. Um dia algo explodiu e, por uma série de eventos, você surgiu. E, se você é um acidente, tudo o que ocorre na sua vida (felicidades e desprazeres) também são frutos do acaso. Qualquer impressão de valor que possamos ter seria apenas uma ilusão. Quem se importa de verdade?

Agora, pense na alternativa…

Se Deus existe, tudo o que existe foi criado por um ser pessoal, alguém que consegue se relacionar com o que criou. Tudo veio de Suas mãos e, assim como uma escultura, a sua própria existência é fruto de Seu desejo. Nesse contexto, é fácil perceber que sua vida tem um valor essencial e todas as suas dores possuem uma relevância cósmica. Alguém se importa de verdade.

Se você observar com calma, o questionamento segue agora um caminho diferente:

  • Eu experimento sofrimentos na minha vida.
  • Esses sofrimentos me ajudam a enxergar o valor essencial que minha vida (ou qualquer outra vida) tem.
  • Mas esse valor só existe, se existir um Deus pessoal, bondoso e poderoso.

Portanto, através da própria realidade dos sofrimentos, podemos concluir que existe um Deus. Você já leu ou ouviu a história de Jó? Não é curioso que ele, sendo um dos homens que mais sofreu nesse mundo, não duvidou por um só minuto da existência de Deus? Ao contrário, no meio de seus sofrimentos, ele recorreu justamente ao seu próprio Deus: “Eu sei que o meu Redentor vive e, por fim, se levantará sobre a Terra. E, mesmo que esteja consumida a minha pele, em carne-viva eu verei a Deus.” (Jó 19:25 e 26)

Jó viveu muito tempo antes do Redentor se levantar. Nós vivemos alguns milênios depois que Ele veio. Deus se fez homem e sofreu o pior de todos os sofrimentos para que eu e você possamos viver em um mundo sem sofrimento. Você pode aproveitar seus questionamentos, dores e lágrimas para conhecer mais a Jesus. Converse com Ele hoje. Será uma experiência inesquecível!

Grande abraço.

Fernando Monteiro
Olá. Meu nome é Fernando. Sou médico-residente em Psiquiatria. Gosto muito de ler. Meus temas preferidos são: Religião, Filosofia, Cultura, Política e Medicina.

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