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Deixe Ele entrar! – parte I

“Há um charme no proibido que o torna intensamente desejável.” (Mark Twain)

Estamos passando por um período do ano muito especial. Todos sabemos que neste momento o mundo comemora o nascimento de Jesus. Muitos até já sabem que esta é uma data simbólica e que Jesus provavelmente não nasceu dia 25 de dezembro. Mas eu gostaria de estimular uma reflexão sobre o real motivo de Jesus ter nascido, vivido e morrido. Preparei esta reflexão em dois momentos. Espero que goste. Vamos lá…

Por muito tempo eu achei que seria muito fácil para qualquer pessoa perceber o quanto a humanidade (em termos gerais e individuais) é corrupta. Porém, estou começando a aprender que as coisas não são como eu pensava. Parece mesmo muito mais fácil identificar a corrupção em sua forma mais explícita (nazismo, ISIS, violência sexual, etc), do que em sua forma mais pessoal e mascarada.

Entretanto, acredito que, no fundo, todos percebem que algo deu errado. E não estou falando de uma percepção necessariamente emocional ou racional… É algo maior. É uma percepção existencial de que “as coisas não são como deveriam ser”. Não deveríamos dizer aquela mentirinha inocente. Não deveríamos ter de passar pelo luto. Nosso corpo não deveria estar definhando lentamente.

Essa percepção pode ser rejeitada, escondida de baixo do tapete do palácio da nossa mente. Mas se você escolheu encará-la, provavelmente passou por momentos de profunda angústia e dúvida sobre o que fazer para “consertar as coisas”. Talvez, tentou inúmeras fórmulas que você mesmo ou outras pessoas criaram: Salvação pelo Trabalho, Salvação pelo Prazer, Salvação pela Academia, Salvação pelo Prozac… Nada deu certo. O que fazer então?

A Bíblia conta a história da humanidade de uma forma no mínimo curiosa. Logo nas primeiras páginas é descrito o processo em que os seres humanos romperam a ligação que possuíam com Deus. E a partir dessa “queda”, a depravação e o sofrimento da humanidade se desenvolvem. Nesse contexto, se origina nosso “desajustamento”: notamos o Mal no mundo, notamos o Mal em nós e não queremos viver isso. Mas a Bíblia não foi escrita apenas para contar a “história do Mal”. Ao contrário, ela foi escrita para mostrar a solução. E essa solução é originada no próprio Deus, que havia sido traído. E, se você pensar bem, isso até faz sentido. Se o próprio Sistema (Natureza) em que vivemos foi infectado pelo Mal, a única esperança se encontra em um ser que esteja fora desse Sistema. E quem melhor do que Aquele que havia criado esse Sistema de maneira perfeita?

Filosofias à parte, o que vemos ao longo de todas as páginas da Bíblia é esse Deus fazendo repetidas incursões na Terra em busca de resgatar aquela ligação perdida. O conceito bíblico para a corrupção humana é Pecado e para o resgate é Salvação. O propósito de Salvação atinge seu cumprimento completo em Jesus Cristo.

De maneira simples, podemos compreender a Salvação bíblica como três etapas: Justificação, Santificação e Glorificação. Hoje, vou tentar explicar apenas a Justificação. Porém, é muito importante notar que essa divisão é apenas uma maneira de facilitar a nossa compreensão. Biblicamente, tudo acontece de forma contínua.

A palavra Justificação aparece inúmeras vezes na Bíblia. E seu significado básico é “declarar justo/inocente”. A figura do tribunal é quase que automática: Deus é o Juiz e nós somos os Réus. O problema é que a própria Bíblia diz que todos nós somos culpados perante o Juiz (Romanos 3:23). Ela também diz que Deus é justo (Isaías 61:8). Como resolver o dilema?

Deus também é amor. E Ele amou cada um de nós de maneira tão sublime que decidiu pagar a pena da nossa culpa nEle mesmo, ao tomar a natureza humana em Jesus (João 3:16). Assim, Ele pode oferecer para nós o direito de sermos chamados inocentes. A justificação é o momento em que Deus transfere os dados da sua ficha criminal para a ficha dEle e, com isso, te dá uma ficha limpa.

Ser justificado é receber o perdão de Deus, sem que seus erros sejam ignorados.

Fernando Monteiro
Olá. Meu nome é Fernando. Sou médico-residente em Psiquiatria. Gosto muito de ler. Meus temas preferidos são: Religião, Filosofia, Cultura, Política e Medicina.

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