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Deixe Ele entrar! – parte II

Esta é a segunda parte de nossa reflexão sobre o real sentido do Natal (A primeira você encontra aqui.).

Vimos anteriormente que Deus, para resolver o problema do pecado, se fez humano na pessoa de Jesus Cristo e pagou a pena pela culpa de cada ser humano. Com isso, ele pode justificar (declarar justo) a todos nós. Esse é o começo da vitória.

Porém, precisamos ter muito cuidado, pois é muito fácil escorregar para um erro teológico importante. Podemos observar esse erro em duas formas: o Legalismo e o Universalismo. Vamos compreender cada um deles e notar onde está o equívoco.

O Legalismo acontece quando acreditamos que a Justificação só se torna real se houver uma mudança de ações de nossa parte, ou seja, Deus só vai nos perdoar se começarmos a obedecê-Lo. O erro nesse pensamento é que ele desconsidera as claras afirmações bíblicas a respeito da gratuidade da Justificação. Efésios 2:8, diz: “Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus.”. Gosto muito da analogia que Paulo faz com os presentes. A ideia é que presentes são coisas que damos a alguém. Não são salários ou pagamentos.

Também observo que o pensamento do Legalismo desconsidera a Onisciência de Deus. Se Deus sabe de todas as coisas que acontecem, será que Ele também não saberia quem O ama de verdade? Será que Deus precisa de provas de amor, como nós precisamos? Você acredita em um Deus onisciente ou em um Deus limitado?

O Universalismo, por sua vez, é o pensamento de que Deus já justificou todo mundo independente da relação de cada pessoa com Ele ou mesmo se essa pessoa aceita essa justificação. Ora, essa ideia também enfrenta grande oposição bíblica (João 3:16, Romanos 5:1, Gálatas 3:24). Mas um texto muito interessante está em Romanos 4:3, onde Paulo se refere a Abraão. Ele relata que Abraão “creu em Deus” e isso foi considerado para a sua Justificação. A ideia bíblica é que a fé em Cristo torna a Justificação real na nossa vida.

Mas se nós precisamos ter fé para sermos justificados, a Justificação não deixaria de ser um presente? Na verdade, não. Vamos seguir na analogia dos presentes. Quando eu compro um presente para você, é uma dádiva de amor. Mas se você não aceitar e receber esse presente, é como se esse presente deixasse de existir. De certa forma, o presente não se tornou real em sua vida. A fé em Cristo é a maneira como estendemos a mão para aceitarmos e recebermos o presente da Justificação.

O que precisamos entender é que a Salvação é sempre um movimento que parte de Deus em direção ao ser humano. Se inicia nEle, se desenvolve nEle e se finaliza nEle. Ele não faz isso por que merecemos. Ele não faz isso por obrigação… Salvar não é uma necessidade para Deus, mas apenas uma consequência do amor que Ele livremente escolheu ter por nós. E tudo isso se manifestou na vida, morte e ressureição de Jesus Cristo.

Salvar significa lidar com o problema do pecado e da maldade da melhor maneira possível: a maneira definitiva. Não tenho espaço suficiente para lidar com a Santificação e a Glorificação, mas é suficiente dizer que Jesus quer lidar com o Pecado por completo. Não apenas com a Culpa, mas também com a Prática. Não apenas com a Prática, mas também com a Existência do Pecado. E Ele cumprirá esse propósito na vida de todos que o permitirem.

Quando penso em Corrupção, Culpa e Cristo, não posso deixar de lembrar a história de Oscar Wilde. Ele foi um dos maiores escritores irlandeses que já existiu. Era um hedonista, buscava o prazer pelo prazer. Levou uma vida recheada de orgias e álcool (e provavelmente outras drogas). Passou certo período de sua vida preso no cárcere de Reading, onde escreveu um de seus mais belos poemas. Copio aqui a tradução de apenas uma parte deste:

Ah! Feliz o dia em que aqueles corações se partirem,

E a paz do perdão vencer!

De que outra maneira pode o homem endireitar seu plano

E purificar sua alma do pecado?

De que outra maneira, exceto por um coração partido

O Senhor Jesus pode entrar?

Você se sente desajustado? Quando observa o Mal que há no mundo e em você, seu coração se despedaça? Se você enxerga a realidade do pecado, a verdadeira solução não é rejeitar essa percepção, não é gastar seu dinheiro em livros de autoajuda, ou correr para um psicólogo/psiquiatra. Ora, não se engane… Se o seu coração se quebrou, é sinal de que Cristo já pode começar a consertar. Ele mesmo diz: “Eis que estou a porta e bato. Se alguém me ouvir e abrir a porta, eu entrarei em sua casa.” (Apocalipse 3:20).

Deixe Ele entrar!

Fernando Monteiro
Olá. Meu nome é Fernando. Sou médico-residente em Psiquiatria. Gosto muito de ler. Meus temas preferidos são: Religião, Filosofia, Cultura, Política e Medicina.

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