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Dia 2 – Preparando o caminho

Olá!

Vamos começar desta vez com este vídeo de um historiador agnóstico Bart Ehrman:

Em breve, boa parte do mundo celebrará um feriado simbólico da Páscoa. Sabendo que todo o Cristianismo surgiu e continuou se expandindo pela forte crença de que esse homem havia ressuscitado dentre os mortos, eu vou publicar uma série de três textos com o intuito de mostrar que, no mínimo, a crença na Ressureição de Cristo não apenas é possível, mas também muito provável historicamente. Agora, eu queria apenas evitar o erro de pensar que Ele não existiu. Não devemos apagar um personagem da história apenas para não termos que nos deparar com um “sério problema” que ele nos traz (o problema da possibilidade de milagres). O problema que quero resolver aqui é aquele criado muito provavelmente por fontes duvidosas de conhecimento tão presentes na atualidade.

A historicidade de Jesus pode ser trabalhada de duas formas: a de sustentar a autenticidade e credibilidade dos Evangelhos e a de buscar uma fonte “não comprometida”, “extra-bíblica” para a afirmação que faremos. Hoje, pretendo seguir a segunda forma. Vou comentar sobre uma dessas fontes. Lembre-se que todas têm certas coisas em comum: todas são de autores totalmente hostis ao Cristianismo e seu Líder, todas são muito confiadas pelos historiadores atuais, todas são claras ao afirmar a existência de Jesus e todas são fontes datadas dentro dos primeiros dois a três séculos após a morte desse Líder.


 

Flavio Josefo

Esse homem foi um judeu que posteriormente passou a viver sobre a proteção do império romano (após o conflito do ano 70 d.C.), sendo considerado por muitos de seus compatriotas como traidor. Entretanto, ele manteve seu judaísmo (cultura e religião) e escreveu grandes obras justamente para levar os romanos a uma admiração de seu povo. Temos dois relatos de Cristo escritos entre 93 e 94 d.C. em sua obra “Antiguidade dos Judeus”. Veremos essas duas passagens:

“Nesse mesmo tempo, apareceu JESUS, que era um homem sábio, se é que podemos considera-lo simplesmente um homem, tão admiráveis eram as suas obras. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muito judeus, mas também por muitos gentios. Ele era o CRISTO. Os mais ilustres dentre os de nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e este ordenou que o crucificassem. Os que o haviam amado durante a sua vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas haviam predito, dizendo também que ele faria muitos outros milagres. É dele que os cristãos, os quais vemos ainda hoje, tiraram o seu nome.” (Volume 18)

“Ele [Anano, o sumo sacerdote da época] aproveitou o tempo da morte de Festo, e Albino ainda não tinha chegado, para reunir um conselho, diante do qual fez comparecer Tiago, irmão de Jesus, chamado Cristo, e alguns outros; acusou-os de terem desobedecido às leis e os condenou ao apedrejamento. Esse ato desagradou muito a todos os habitantes de Jerusalém, que eram piedosos e tinham verdadeiro amor pela observância de nossas leis.” (Volume 20)

Apesar de ser bem provável que tenham mudado algumas expressões do primeiro relato, outras cópias mais “sinceras” mostram que o cerne das informações se manteve intocado. A maioria dos historiadores aceita, então, o relato em geral dele como verdadeiro e autêntico (lembre que a quase totalidade dos documentos históricos considerados válidos possuem divergências do original). Para ele, a existência de Jesus não era um problema, a sua influência até mesmo post mortem o era.

Com relação ao segundo relato, só algumas ressalvas: ele é focado na história de como Ananno se deu mal politicamente. Jesus é citado apenas como um detalhe importante, mas sua existência não é nem sequer questionada.

Bom, vamos ver rapidamente outras fontes que citam a existência de Jesus Cristo…

  • Tácito: um senador, orador e um dos maiores historiadores romanos. Totalmente antipático a Nero e aos Cristãos, ele relata em seus Anais (116-117 d.C.) sobre Jesus Cristo como originador da “superstição perigosa”, reconhecendo claramente a sua existência e importância.
  • Suetônio: escreveu em 120 d.C. que Jesus Cristo era o originador da tal “seita popular” (fonte: Os Doze Césares).
  • Plínio, o Jovem: governador da Bitínia, escreveu em 110-111 d.C. sobre suas investigações a respeito dos cristãos e cita Jesus Cristo como sendo originador de tal crença.
  • Celso: um filósofo, ele escreveu um livro no segundo século depois de Cristo justamente para humilhar e desmoralizar os cristãos. Ele, porém, afirma claramente a existência do líder. (Fonte: Discurso Verdadeiro)
  • Luciano de Samósata: escreveu no segundo século depois de Cristo uma história onde faz menção a existência de Jesus. (Fonte: A Morte do Peregrino)
  • Talmude Hebraico: uma coleção de escrito por rabinos importantes à religião judaica, que ficou pronto por volta de 300 d.C.. Afirma claramente a existência e influências de Jesus, criticando seus ensinos.

É bem verdade que podemos estabelecer não apenas que esse Jesus existiu, mas também os seguintes fatos (já conhecidos pela maioria de vocês) a respeito dele:

  1. Era chamado de Cristo ou Messias: referente a uma antiga profecia dos judeus.
  2. Tinha um irmão chamado Tiago.
  3. Convenceu a judeus e gentios.
  4. Afirmava ser Deus, Um com Deus ou Filho de Deus.
  5. Clamava autoridade para realizar curas e exorcismos.
  6. Os lideres judeus da época não o apoiavam.
  7. Pilatos decidiu por mata-lo.
  8. Ele morreu especificamente pela crucificação romana.
  9. Ele foi morto durante o governo de Pilatos na Judéia.
  10. Muitos de seus seguidores não abandonaram sua crença após sua morte.
  11. O movimento se espalhou rapidamente por boa parte do mundo conhecido naquela época.

E tudo isso apenas observando os relatos de pessoas totalmente externas ao Cristianismo! Isso precisa significar alguma coisa.


Desconfiar da existência histórica de Cristo seria se igualar ao homem que duvida de toda a sua existência pregressa e não tem certeza nem do que acabou de comer. Precisamos aceitar que ele existiu, mesmo que com isso venham “problemas”, como a existência de milagres e, ainda maior, a existência de Deus. Não se desespere, vamos encarar esses problemas nas próximas três semanas!


Um pouco mais para você:

Livros: Cristianismo Puro e Simples (C.S. Lewis), The Historical Reliability of the Gospels (Craig Blomberg), The Historical Jesus (Gary Habermas), Não Tenho Fé Suficiente para Ser Ateu (Frank Turek e Norman Geisler), Em Guarda (William Lane Craig)

Sites:

http://www.apologeticspress.org/APContent.aspx?category=10&article=187&topic=316

http://www.reasonablefaith.org/rediscovering-the-historical-jesus-the-evidence-for-jesus

http://www.biblicalarchaeology.org/daily/people-cultures-in-the-bible/jesus-historical-jesus/did-jesus-exist/

Até mais!

Fernando Monteiro
Olá. Meu nome é Fernando. Sou médico-residente em Psiquiatria. Gosto muito de ler. Meus temas preferidos são: Religião, Filosofia, Cultura, Política e Medicina.

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