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Eu queria um amuleto…

“Queremos, na verdade, não tanto um Pai Celestial, mas um avô celestial” (C. S. Lewis)

Talvez você esteja confuso com relação a esse título, mas foi precisamente a essa conclusão que cheguei após uma interessante reflexão que fiz sobre minha religiosidade há alguns anos atrás. E, antes que você me pergunte, adianto: não, eu nunca tive tendências a superstições. Nunca compreendi muito bem o significado de passar embaixo de uma escada, encontrar um gato preto, deixar chinelos virados, entre outros. Mesmo assim, a minha vida espiritual se resumia na busca por um amuleto.

Eu percebi que minhas orações (demoradas ou rápidas) eram compostas basicamente de pedidos, meus momentos de estudo da Bíblia estavam cada vez mais irregulares e pouco estava fazendo para compartilhar o amor de Deus com o mundo. Não é de se admirar, então, que minhas decepções nesse processo fossem constantes. Por que meus pedidos não eram respondidos? Por que estavam ocorrendo tantos problemas em minha vida pessoal? Será que Ele não me ouvia?

Creio que o próprio Deus deu a resposta para essas questões. No livro de Jeremias, capítulo 29 e verso 11, está escrito assim: “Só eu conheço os planos que tenho para vocês: prosperidade, e não desgraça, e um futuro cheio de esperança. Sou eu, o Senhor quem está falando”.

Poderia abordar essas poucas palavras de várias formas, mas vou me restringir a apenas uma. Deus está dizendo que Ele tem planos e intenções para nossas vidas. Planejamento e intencionalidade são características de seres pessoais. Não conseguimos conceber algo impessoal que sonhe, tenha objetivos e metas. Seu celular, por mais avançado que possa parecer, não realiza planos, ele simplesmente funciona. Você aperta um botão, e ele funciona. Você diz um comando, e ele funciona. Simples assim. Planos pressupõem vontade. E apenas pessoas possuem vontade.

O que o texto da Bíblia está nos dizendo é que Deus é um ser pessoal. Aliás, a expressão “Sou eu, O Senhor” traz uma sensação de autoridade. Isso indica que Ele também é um ser soberano, não limitado pelos nossos desejos e planos. Mas a minha atitude naquela época não demonstrava uma compreensão desse ensino bíblico.

Eu buscava alguém (ou algo) que pudesse me responder exatamente da forma que eu desejava, sem me contrariar. Estava adorando uma espécie de trunfo que me garantiria a vitória em qualquer aspecto da vida. Eu desejava uma muleta para me apoiar em tempos difíceis. Eu estava realmente buscando um amuleto.

Mas eu encontrei algo ainda maior. Alguém que deseja não apenas se relacionar comigo diariamente, mas também me transformar em uma pessoa melhor, ainda que isso signifique deixar de responder a muitos dos meus pedidos.

Eu encontrei um Pai.

Eu encontrei Deus.

Caso você esteja se decepcionando com Deus, ouse questionar a sua fé atual. Quem tem te decepcionado: o Deus que existe de verdade ou a imagem que você criou dEle em sua mente? Você realmente conhece a Deus? Ou será que você tem buscado um amuleto todo esse tempo?

Fernando Monteiro
Olá. Meu nome é Fernando. Sou médico-residente em Psiquiatria. Gosto muito de ler. Meus temas preferidos são: Religião, Filosofia, Cultura, Política e Medicina.

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