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O camelo e a agulha

O Evangelho de Mateus (cap 19:16-25) conta uma história intrigante.
Leia esses nove versos curtos e note a suposta metáfora presente na afirmação de Cristo (verso 25). Um camelo passar no buraco de uma agulha? Será que Jesus estava falando sério? Queria Ele afirmar que é impossível para uma pessoa rica receber a salvação? Existe algum problema em possuir uma quantia alta de capital e bens? Se observarmos as dimensões convencionais de um camelo e a complexa tarefa de conseguir fazer a linha de costura atravessar o fundo de uma agulha, podemos começar a considerar fazer um jornada de trabalho mais flexível. Porém, é importante entendermos a afirmativa de modo claro, antes de tomarmos qualquer decisão. Algumas teorias argumentam que a agulha em questão se referia a uma pequenina passagem nos muros de Jerusalém, que era utilizada pelas pessoas quando os portões eram fechados. De acordo com Alberto R. Timm, PhD em teologia pela Andrews University, essa é uma tentativa de minimizar a compreensão da ideia expressada por Jesus. Ainda que houvesse tal portinhola, seria inviável passar um camelo por ela. Outrossim, elas eram mais comuns na Síria, numa época posterior à de Cristo.

O camelo era o maior animal da Palestina e, pelo que mostra o texto, Jesus de fato o contrastou com o menor orifício conhecido pelos discípulos. É evidente que a intenção da assertiva era mostrar a impossibilidadede de uma ação. No entanto, outros pontos da história são essenciais para entendermos o porquê de tal posicionamento. Quando o jovem pergunta para o Mestre, ele é lembrado de alguns dos Dez Mandamentos, parte essencial da formação judaica. Observe que todos os citados por Jesus são instruções referentes ao amor ao próximo. Em todas elas o abastado judeu afirma que as obedece desde pequeno. O Messias então pede que ele dê tudo o que possuía aos pobres, convidando-o a ser um discípulo.

Por possuir muitas coisas o jovem se retira triste. É incrível a maneira como Jesus demonstra conhecer a essência da dúvida apresentada. Ele nota que o rapaz não vê nenhum problema em si mesmo, então Ele vai e toca exatamente o ponto no qual o candidato à salvação não consegue enxergar. O jovem príncipe começa revelando seu equívoco, ao imaginar que um conjunto de ações pautadas numa obediência completa e imaculada, seria moeda de troca para a salvação. Ele perguntou: “o que devo fazer para ser salvo?” Mas o cerne da questão não é este, Jesus mostra a ele que, apesar de guardar toda a letra da lei desde criança, ao ser questionado quanto à essência dela ele se mostra insuficiente. A essência dos mandamentos citados por Cristo é o amor ao próximo (Mat. 19:19), e quando confrontado com a ação de viver esse amor, isto é, doar seus bens aos necessitados, ele vê que seu coração não está em Cristo, mas sim em seus tesouros.

O chamado era para que Jesus tomasse o lugar que a riqueza ocupava no coração daquele príncipe. Quanto ao camelo e a agulha? Eles mostram a impossibilidade de um homem ser salvo quando a riqueza ocupa o lugar exclusivo de Cristo. A história não condena as riquezas em si, ela adverte quanto ao perigo de supervalorizarmos o trivial (Mat. 6:19-20).

Lembre, porém, que quando tudo parece perdido aos discípulos, Ele os reanima dizendo: “Para Deus tudo é possível.” Mateus 19:26

Renato Mendonça
Casado com uma linda dentista, tento sempre usar o fio dental. Sou estudante e nas horas vagas músico. Queria gostar mais de ler do que gosto de dormir. Na Primeira Essência fiz bons amigos e tenho aprendido mais sobre o significado de amar e servir.

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