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Oi, velhos e novos amigos desse querido e lindo blog!!!

Hoje gostaria de abordar um tema popular e de muito interesse a todos, o famoso Zika vírus. Vamos conhecer e descobrir desse assustador Vírus que vem aterrorizando nosso país.

O que é esse tal de Zika vírus?

É uma doença viral aguda, transmitida principalmente por mosquitos, tais como Aedes aegypti, caracterizada por exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia e dor de cabeça. Apresenta evolução benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente após 3-7 dias.

Como é transmitido?

O principal modo de transmissão descrito do vírus é por vetores. No entanto, está descrito na literatura científica, a ocorrência de transmissão ocupacional em laboratório de pesquisa, perinatal e sexual, além da possibilidade de transmissão transfusional.

Como eu sei que posso estar com o Zika Vírus?

Quais os sintomas?

Segundo a literatura, mais de 80% das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas, porém quando presentes são caracterizadas por exantema maculopapular pruriginoso (manchas avermelhadas com coceira), febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta, dor nas articulaçōes, dor muscular e dor de cabeça e menos frequentemente, edema (inchaço), dor de garganta, tosse, vômitos. Apresenta evolução benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente após 3 a 7 dias. No entanto, a artralgia (dor nas articulaçōes) pode persistir por aproximadamente um mês.

É verdade que a zika pode levar a uma doença grave?

Tem sido registrado, em regiões com surto de zika, o aumento de uma síndrome neurológica chamada Guillain-Barré. Qualquer pessoa que tenha tido zika precisa procurar atendimento médico rápido se, de 1 a 4 semanas depois da zika, começar a sentir dor, formigamento ou fraqueza nos pés e pernas. Conforme a síndrome progride, a fraqueza muscular pode evoluir para paralisia, podendo haver grande dificuldade em caminhar ou subir escadas. É preciso fazer tratamento no hospital.

Fui diagnosticada com zika. Posso amamentar?

O que se sabe até o momento é que, embora exista a possibilidade de encontrar o vírus zika no leite materno, isso não significa que o bebê será contaminado. Especialistas acreditam que a amamentação deva continuar de qualquer forma, para que o bebê receba pelo leite materno toda a imunidade contra doenças em geral, além da alimentação mais completa e perfeita para o seu desenvolvimento. Essa também é a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas, diante da incerteza que cerca a zika devido à falta de estudos conclusivos sobre o vírus, é compreensível que uma mãe com a doença pense em interromper a amamentação. Em momentos assim é muito difícil saber como agir. Se você está preocupada em amamentar, converse com um médico de sua confiança e leve em conta o que considera melhor no seu caso e o do seu bebê.

Lembre-se de que o mais importante de tudo é que seu filho seja alimentado de maneira apropriada e que seja coberto por seu carinho e seus cuidados. Tome sua decisão com tranquilidade.

A zika causa malformações no bebê? O Zika tem haver com a microencefalia?

Embora pesquisas ainda estejam sendo conduzidas para entender melhor todos os aspectos e consequências da doença, o que se sabe até agora é que existe uma relação entre infecção por zika na gravidez e malformações neurológicas como a microcefalia (o bebê nascer com a cabeça menor que o padrão). Isso não quer dizer, contudo, que toda grávida que teve zika terá um bebê com malformação. Os mecanismos da contaminação do feto ainda estão na fase de investigação pela comunidade científica e, infelizmente, muitas perguntas ainda não têm resposta definitiva. Uma grávida que esteja com coceira e manchas avermelhadas pelo corpo deve procurar atendimento médico o mais rápido possível. Somente um profissional de saúde pode distinguir se se trata de zika ou de outra doença. Uma vez confirmada a zika, os médicos farão o controle do desenvolvimento do bebê e do crescimento da cabeça através de ultrassons. Caso, com o avanço da gestação, seja constatada microcefalia ou outra alteração, o bebê será examinado quando nascer para que sejam indicadas terapias e tratamentos. Não se sabe ainda em que fase da gravidez a zika é mais perigosa para o bebê, mas os três primeiros meses são sempre o período mais crítico para infecções que afetem o feto, porque os órgãos estão em formação.

Quem pega zika fica imune para o resto da vida?

Pelo que se sabe até agora, os especialistas acreditam que a zika promove a imunização de quem adoece. Ou seja, se você já pegou o zika vírus uma vez, não pegaria de novo. De qualquer forma, ainda poderá pegar outras doenças causadas por vírus transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti, como os quatro tipos de dengue e a febre chikungunya.

O que eu posso fazer se suspeitar que estou com o Zika vírus?

Procurar o serviço de saúde mais próximo para receber orientações. Se apresentar ou sintomas ou em caso de suspeita de Zika deve-se ir ao médico para que ele possa identificar a doença e indicar os medicamentos necessários. Apesar destes remédios não precisarem de receita médica para serem comprados a auto-medicação não deve ser aplicada. Além disso, a Zika é uma doença que deve ser avisada às autoridades de saúde do Brasil e do mundo e cabe ao médico enviar relatórios que indicam o número de infectados e os sintomas que apresentaram porque estas informações são importante para o estudo desta doença, sendo útil para saber mais detalhes sobre o Zika Vírus e suas implicações na saúde.

Tem exames que identificam o Zika vírus?

Os exames que identificam o Zika vírus encontram pequenas partículas desse vírus na corrente sanguínea da pessoa infectada, por isso só é eficaz quando é realizado quando os sintomas da Zika estão presentes, o que dura cerca de 5 a 10 dias. Após esse período não é possível saber se a pessoa teve a doença ou não porque nem sempre são encontrados vestígios do vírus.

Porque o médico nem sempre pede exames?

Normalmente os médicos não pedem exames específicos para o ZIKAV porque estes não encontram-se disponíveis para o público em geral. Somente algumas pessoas selecionadas pelo ministério da saúde são submetidas a exames que possam identificar o zika vírus, enquanto os sintomas da doença ainda estiverem presentes. Após este período apenas vestígios virais podem ser identificados em alguns tecidos, mas para identifica-lo é preciso um outro exame, um pouco mais específico e mais caro. No entanto, para despistar outras doenças o médico poderá solicitar outros exames como exame de sangue, urina ou ultrassonografia, para identificar outras doenças que podem ter sintomas semelhantes.

Existe remédio específico?

Não existe o tratamento específico. O tratamento dos casos sintomáticos recomendado é baseado no uso de acetaminofeno (paracetamol) ou dipirona para o controle da febre e manejo da dor. No caso de lesōes pruriginosas (manchas com coceira), os anti-histamínicos podem ser considerados. No entanto, é desaconselhável o uso ou indicação de ácido acetilsalicílico e outros drogas anti-inflamatórias em função do devido ao risco aumentado de complicações hemorrágicas descritas nas infecções por síndrome hemorrágica como ocorre com outros flavivírus. Não há vacina contra o Zika virus.

Como evitar a transmissão dessa doença?

A principal forma de prevenção é o combate aos focos de mosquito, em especial nos períodos de calor e de chuvas. As medidas são semelhantes às da dengue e chikungunya. Não existem medidas de controle específicas direcionadas ao homem, uma vez que não se dispõe de nenhuma vacina ou drogas antivirais.

Prevenção domiciliar deve-se reduzir a densidade vetorial, por meio da eliminação da possibilidade de contato entre mosquitos e água armazenada em qualquer tipo de depósito, impedindo o acesso das fêmeas grávidas por intermédio do uso de telas/capas ou mantendo-se os reservatórios ou qualquer local que possa acumular água, totalmente cobertos. A proteção individual por meio do uso de repelentes deve ser implementada pelos habitantes. Pode-se utilizar roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia quando os mosquitos são mais ativos podem proporcionar alguma proteção contra as picadas dos mosquitos e podem ser adotadas principalmente durante surtos, além do uso repelentes na pele exposta ou nas roupas.

Prevenção na comunidade deve-se basear nos métodos realizados para o controle da dengue, utilizando-se estratégias eficazes para reduzir a densidade de mosquitos vetores. Um programa de controle da dengue em pleno funcionamento irá reduzir a probabilidade de um ser humano virêmico servir como fonte de alimentação sanguínea, e de infecção para Ae. aegypti e Ae. albopictus, levando à transmissão secundária. Por meio de participação da comunidade em manejo ambiental e redução de criadouros.

Procedimentos de controle de vetores. Alguns cuidados para ter em mente:

  • Não deixe água limpa se acumular em sua casa ou quintal. Isso inclui vasos de plantas, móveis e enfeites em áreas externas. Fique de olho em poças d’água que se formam após a chuva.
  • Use roupas claras, e, de preferência, mangas e calças longas.
  • Como ainda não há informações definitivas sobre a possibilidade de transmissão por via sexual, use preservativos nas relações com seu parceiro, em especial se ele tiver tido a doença.
  • Em todo o caso, se puder, procure não ter contato muito próximo com pessoas doentes. E é sempre bom, em qualquer situação, manter bons hábitos de higiene: lavar as mãos com frequência, não compartilhar talheres e copos com outras pessoas.
  • Passe repelente contra insetos, inclusive na roupa, para tentar aumentar a proteção. Reaplique a cada seis horas ou de acordo com as instruções da embalagem.

E se cuidem!!!

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“Amor Exigente”. Tão epidêmico! Tão nocivo!

Um termo que sinaliza que algo dará errado, pois, mesmo sendo composto por duas palavras pequenas, traz conceitos antagônicos entre si.

De um lado do termo, o AMOR, que traz a ideia de ‘enxergar o outro’… de ‘bem querer ao outro’… de deixar esse outro ‘livre’ em suas escolhas; livre inclusive pra não querer receber o amor de quem oferta. O amor revela a direção do olhar e interesse de quem ama: o outro. Ironicamente algo quase que antinatural ao homem.

Do outro lado do termo a EXIGÊNCIA, que trás a ideia de ‘imposição e controle’ sobre o outro… a ideia do “deve e não deve”, do “tem que e não tem que”. Algo tão familiar e generalizado em cada um de nós! Algo intimamente ligado à maioria de nossas irritações (se não quase todas), pela frustração que vivenciamos quando o mundo ao meu redor não “se move pra me atender”, quando situações e pessoas não atendem nossas necessidades impostas.

“Amor” e “Exigência”, combinadas, têm o poder de gerar construções nocivas e impressões profundas na mente humana, criando inverdades como se fossem ‘verdades absolutas, globais e inquestionáveis’ – talvez seja essa a base mais profunda dos transtornos psicológicos e emocionais no homem pós moderno, influenciando diretamente seu comportamento com o mundo ao seu redor.

Um desses comportamentos disfuncionais e que perpetua o modelo, é a dificuldade que muitos têm de dizer “Não!”. Psicologicamente armadilhados por essa dificuldade, muitos desenvolvem mecanismos de defesa do tipo “autosacrifício” – quando abrem mão de si, de suas opiniões legítimas para agradar o outro na esperança de receber aprovação, validação, afeto; e do tipo “subjugação” – quando também abrem mão de si passando por cima de opiniões pessoais, valores e até princípios, mas para não sofrerem retaliações e punições, como por exemplo a rejeição. Armadilhas psicológicas que se arrastam muitas vezes por toda uma vida…

Aproveitando o convite para escrever sobre “amor exigente”, fiz um exercício pessoal de autoanálise sobre quais as reações internas eu experimentaria, caso dissesse um “não” à oferta recebida para escrever. Foi interessante identificar e constatar alguns ‘fenômenos’ ligados a prováveis ‘marcas’ e ‘rastros’ psicológicos de exigências mas em embalagens falsas de ‘amor’..

Na ideia de falar “não” ao convite, identifiquei imediatamente um pensamento do tipo “e se…?” O pensamento foi “e se ficarem chateados comigo?” Como percebi que este pensamento carregava um grau de tensão interna, com aquele famoso ‘friozinho na barriga’, resolvi pegar esse pensamento como o fio da meada e ir atrás dele pra ver onde iria dar. Encontrei na sequência alguns outros: “se ficarem chateados, então posso ser julgado como errado, como alguém que pode ajudar mas não quer”… “se me julgarem como inadequado posso ser rejeitado”… “se me rejeitarem é porque não sou tão gostável assim”… E a sequência de pensamentos automáticos foi longe, gerando um estado emocional cada vez mais desconfortável e perturbador. Em resumo, cada pensamento e emoção correspondente “confirmava” a presença de marcas na forma de desamor, de insuficiência, de inadequação… na realidade inverdades sobre mim, sobre o meu valor e importância, mas presentes ali na alma como “verdades”. Essa experiência forçada me revelou a possível presença de esquemas internos muito comuns a de muitos, que carregamos em nossa existência. Digo ‘nossa’ porque observo há anos o mesmo fenômeno presente internamente, por trás da queixa, de cada pessoa que, com alguma perturbação, vem conversar comigo.

A pergunta importante aí, é: “O que causou ou causa essas marcas e rastros psicológicos negativos de forma tão epidêmica?” Sei que a resposta é multifatorial, mas estou convencido de que um desses porquês é o modelo de ‘amor exigente’ tão amplamente presente nas relações, modelando crenças, pensamentos e comportamentos com potencial tão nocivo! É provável que algumas de suas perturbações internas estejam modeladas pelas marcas que um ‘amor exigente’ deixou em você, numa época da vida – primeira infância – em que pouco ou quase nada você poderia ter feito como defesa. De lá pra cá, apenas se perpetuou e se confirmou como ‘verdades’.

A presença e marcas do amor exigente faz com que o homem esteja habitualmente muito voltado pra si… buscando se atender em tudo o que toca e faz, mesmo quando aparenta altruísmo. Se eu pudesse desenhar uma forma que representasse o homem em seu padrão ensimesmado de exigência, talvez seria uma pequena cabeça, braços e perninhas presos a um enorme umbigo!

Nietzsche capturou bem essa deficiente realidade do amor humano quando afirmou que não amamos o outro. Na realidade amamos a sensação boa que sentimos na relação com o outro. Amamos então o nosso próprio desejo! Amor exigente, na realidade, não é amor é armadilha; é gaiola; é uma mentira… É construção humana! É uma reprodução do que já fizeram em nós. Portanto, não procede de Deus.

Mas fica a pergunta: “Devo aceitar tudo o que me é ofertado?” E a resposta é, novamente, “depende”… Depende do porquê falo sim ou não; do pra que, falo sim ou não. Se o meu “sim” ou meu “não” estiverem internamente impulsionados por me sentir inadequado, insuficiente, desqualificado… dizê-los será uma forma de perpetuar dentro de mim esses esquemas disfuncionais e, fazendo assim, estarei fortalecendo e reproduzindo essas inverdades através do meu comportamento e nas minhas relações.

Como essas marcas estão presentes em nós já há muito tempo, como registros químicos em nosso banco de memórias emocionais, não tem como apagá-las. O objetivo seria reescrevê-las. Pra isso a sugestão do terapeuta é: 1. sonde e identifique em cada situação de desconforto qual a intenção interna por trás dos seus pensamentos e comportamentos; 2. Se a intenção for buscar validação ou fugir da rejeição, aja na direção oposta do que faria. Em outras palavras, pague pra ver… e você verá que na maioria das vezes o ‘bicho é menos feio do que parece’. Você se perceberá mais fortalecido, com uma sensação interna de liberdade real. 3. Se apresente diante de Deus com o tamanho da tua dificuldade e busque nEle a coragem necessária pra agir dessa maneira. 4. Perdoe verdadeiramente seus pais/ cuidadores por terem equivocadamente moldado você sob um modelo errado de amor. Eles “não sabem o que fazem”, reproduziram o que também receberam…

Abra a porta dessa gaiola… Você foi criado para voar!

“A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota.” – Jean Paul Satre

A data era 24 de agosto de 1572. A hora: algum momento após a meia-noite. O local: Paris, França. Você era mais um huguenote (um tipo de cristão protestante). Você e sua família dormiam um sono tranquilo, sabendo que, há dois anos, a rainha católica Catarina de Médici havia assinado um tratado de paz entre católicos e protestantes. Mas a noite é rompida pelos gritos de desespero dos vizinhos. Um genocídio estava ocorrendo e os alvos: os huguenotes. Parece o início de um filme de suspense? Pois bem, a história real pode ser mais assustadora. Ficou conhecido como o Massacre do dia de São Bartolomeu. Um relato descreve o resultado da matança: as águas dos rios foram tão contaminadas com os cadáveres humanos que ninguém comia peixe.
A verdade é que dar exemplos de violências cometidas em nome de ideologias é assustadoramente fácil. Porém, o que mais me preocupa e envergonha são os crimes cometidos em nome do cristianismo, justamente a religião conhecida pela “regra áurea do amor”. E o mais frequente é que os abusos da ideologia cristã são (ou pelo menos se iniciam) sutis. Por isso, acredito que todos os cristãos devem pensar de maneira honesta sobre esse assunto. Como um cristão se torna um fanático? Apenas questões psicológicas estão envolvidas? Como evitar esse mal? Será que Jesus tem algo a dizer sobre isso?
Antes de estudarmos um fascinante episódio contido nos evangelhos, vou partir do princípio de que a veracidade de uma religião ou filosofia não pode ser rejeitada pelos seus abusos. Assim, não é o valor dos ensinos centrais de Jesus Cristo que estão em jogo, e sim a maneira como estão sendo aplicados por aqueles que dizem segui-Lo.
E o que Ele ensina? O capítulo 8 do evangelho de João conta uma passagem interessante sobre Sua vida, onde a sutileza do extremismo é apresentada como pano de fundo. Ao dialogar com um grupo de judeus que aparentavam crer nele (verso 32), Ele diz um de seus ensinamentos mais famosos: “Se vocês permanecerem na minha palavra, serão realmente meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”. Continuando o diálogo, Jesus expõe que, em seus corações, aqueles “crentes” ainda planejavam matá-Lo.
Aqui cabe uma distinção entre conceitos muito mal utilizados: Fundamentalismo e Fanatismo.
– Fundamentalistas: são pessoas que resgatam e mantêm os fundamentos de sua ideologia. No cristianismo, o termo começou a ser utilizado 1920, para descrever um grupo de cristãos que professavam crenças distintas da Teologia Moderna, que estava ganhando força em alguns segmentos (Alta Crítica e Teologia Liberal).
– Fanáticos: são pessoas com zelo obsessivo por determinada ideia. Elas não toleram o contraditório. Muitas vezes, possuem uma visão estreita da realidade. Alguns possuem diagnósticos de transtornos mentais, mas é muito difícil traçar a origem do fanatismo apenas em termos psicológicos e psiquiátricos.
Como você pode ver, a realidade é que todos nós somos fundamentalistas em algum sentido. O ateu crê e sustenta firmemente o fundamento de que não há nada além da Natureza. O fundamento do hindu é a ideia de que todos são parte do que chamamos de “deus”. O pós-moderno acredita que a Razão é impotente e até desprezível. E mesmo que alguém levante a bandeira da Tolerância, essa pessoa estaria considerando as ideias de respeito e compaixão como absolutas. Toda crença tem fundamentos. E todos cremos em algo.
Da mesma forma, qualquer filosofia pode ter seus adeptos fanáticos. Acho que exemplos aqui são desnecessários. Temos nossa boa porção do dia-a-dia… E quanto aquele grupo de judeus que estavam dialogando com Cristo? O interessante era que tanto Jesus quanto eles professavam a mesma religião. A diferença: Jesus era um fundamentalista. Ele estava buscando resgatar a religião original que havia se perdido em séculos de tradições humanas. Já aqueles homens eram fanáticos que, se dizendo “crentes”, fixaram suas mentes nas tradições e hostilizavam os que não estavam de acordo (Jesus não foi o primeiro “reformador” a ser morto, e também não foi o último).
Discorrendo sobre o impacto desse fanatismo, Jesus explicou que eles não eram crentes de verdade, pois neles “não há lugar para a minha palavra”. Quando busquei a melhor tradução para a expressão “não há lugar” na linguagem original (“chóreó”, no grego), notei que ela se refere a algo saindo para dar lugar a outra coisa. Para que o ensino de Cristo pudesse transformar aquelas vidas, algumas idéias e práticas precisavam ser abandonadas. Mas o ser humano é livre para escolher. Deus nunca forçará ninguém a aceitá-Lo.
Se compreendemos isso, podemos voltar ao que Jesus disse nos versos 31 e 32. “Se vocês permanecerem na minha palavra” significa que, ao estudar a Bíblia, devemos fazer a escolha e permitir que saia do nosso coração aquilo que não combina com Jesus, sendo essa uma decisão a ser reiterada sempre. “Conhecerão a verdade”, mas não em um sentido meramente intelectual, pois o que importa é conhecer a verdade de forma relacional e prática. “E a verdade os libertará” não apenas de filosofias erradas, mas de hábitos nocivos. A verdade tem esse poder, pois não é uma simples ideia. A verdade, em última análise, não é algo, é Alguém (João 14:6).
Me parece que O Maior Fundamentalista da história nos mostrou a fórmula contra o Fanatismo: um estudo prático da Bíblia e um constante relacionamento com Deus. Isso deve ser parte do nosso cotidiano, se desejarmos carregar a bandeira do Cristianismo.
E eu não poderia terminar esse texto sem fazer um convite a você que tomou seu tempo para ler. Caso deseje aprender junto conosco mais sobre Jesus, sobre os ensinos da Bíblia e sobre como se relacionar com Deus, você será muito bem-vindo no programa Identidade, que ocorre todos os sábados às 9 horas. E faça seus planos para permanecer conosco no nosso Código Aberto, onde conversamos sobre temas muito relevantes.
Aqui nós não temos todas as respostas, mas aprendemos a fazer as perguntas certas para a Pessoa certa.

Em um dos encontros de Jesus com os escribas e fariseus, Ele é confrontado com algumas perguntas sobre “o que deveriam fazer para herdar a vida eterna?”(v. 25) Essa história está localizada no livro de Lucas 10:30-35. Não irei descrevê-la, mas para àqueles que ainda não conhecem a parábola do “Bom Samaritano”, seria bom lê-la antes de continuar lendo este texto.

​Jesus ensinando por retórica, responde a pergunta com outra… “que está escrito na lei? Como interpretas? (v.26), ao que o indagador imediatamente responde “amarás o Senhor teu Deus […] e o teu próximo” (v. 27). Contudo, o questionador não satisfeito pergunta novamente “quem é o meu próximo?”. Assim Jesus pacientemente conta a parábola e ao final questiona “qual destes três te parece ter sido o próximo”?.

​A forma como Cristo responde aos questionamentos egoístas e confortáveis dos seus inquiridores é simplesmente desconcertante. Se Jesus tivesse perguntado igualmente ao escriba “quem é o meu próximo?” ele implicaria em dizer que o próximo é alguém com necessidade, colocando limites ao mandamento do amor, assim Jesus remove a questão do nível do necessitado, seja ele quem for, para ensinar que o próximo é AQUELE que pratica a AÇÃO, ou seja, EU, VOCÊ, independente de quem seja aquele que está caído às margens do caminho.

​Jesus, com esta parábola, deixou claro que a pergunta real não é “quem é o meu próximo?”, mas “quem sou eu?”. Ninguém ama realmente até que saia do seu caminho, se desviando de sua rota para servir. Em outras palavras, o próximo não é o objeto da ação, mas o SUJEITO dela. Não é aquele a quem se serve, mas AQUELE QUE SERVE. Na perspectiva de Jesus nós não podemos escolher quem será o nosso próximo, MAS APENAS VIVER E AGIR COMO O PRÓXIMO!

​E confesso que é difícil viver essa “Regra do Amor”. Como refletir e pensar em burlar meu enganoso coração contra ‘alguém’ que, sem me conhecer, é capaz de maltratar-me verbalmente, ou ajudar a quem nunca vi, deixar de fazer as coisas que gosto ou até mesmo ter o que acho que preciso para abrir mão em benefício do outro?

A Regra para todos nós é perfeitamente simples. Não perca seu tempo pensando se você ‘ama’ ou não o seu próximo; porque como já disse, eu devo ajudar e, acima de tudo, amar à todo aquele ao qual eu estou próximo, independente de quem quer que seja. O segredo é agir como se você já o amasse – com muita compaixão. Quando você faz isso acaba descobrindo uma fórmula da vida impressionante com Jesus… Quando você age como se amasse alguém, acaba por amá-lo de verdade! Agora, se eu ofender alguém de quem eu não goste, ou desprezar a necessidade dos que me procuram, acabarei gostando deles menos ainda. Se eu der uma boa resposta, vou desgostar menos da pessoa… e terei oportunidade de amá-la como deveria amar.

Contudo, se eu lhe der uma resposta gentil, não para agradar a Deus e obedecer à Regra da caridade, mas para lhe provar que eu sou legal e capaz de dar ou até mesmo perdoar colocando-a em dívida comigo, e depois sentar-me e esperar que ele demonstre a sua ‘gratidão’, provavelmente acabarei ficando desapontada. Mas se eu fizer o bem a outro ser humano criado por Deus (assim como eu mesma fui), desejando a felicidade dele da mesma forma que desejo a minha, é bem provável que terei aprendido a amá-lo um pouco mais ou, pelo menos, a desgostar dele um pouco menos.

Admito que em outras palavras isso significa amar pessoas que não tem nada de amável. Mas será que alguma pessoa tem algo de amável? Eu me amo simplesmente porque sou eu mesma. Deus quer que eu ame todas as pessoas da mesma forma e pela mesma razão! E me deu a fórmula pronta, justamente para mostrar como de fato funciona. O que eu tenho que fazer é aplicar a regra a todos os outros. Quem sabe isso torne tudo mais fácil… Lembrando que é assim que Deus me ama! Não por quaisquer qualidades atrativas que imagino ter, mas porque sou algo chamado “eu”. Na realidade não há mais nada de amável em mim; sou criatura que tem tanto prazer no ódio que abrir mão dele seria para mim algo tão difícil quanto abrir mão de um vício.

Então, quem sou eu? De quem sou próximo?