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Para escrever este texto, resolvi fazer um teste comigo mesmo. Fechei há mais de um mês minha conta do Facebook para ver como seria. Confesso que a experiência me trouxe alegrias e tristezas. Alegrias porque, sim, é possível viver sem! Estava perdendo muito tempo vendo os sorrisos de um monte de gente que nem conheço direito. O excesso de sorrisos vistos nas redes de relacionamento digital é um assunto que eu tenho vontade de escrever sobre, mas não será hoje. Sorrisos aqui representando os pontos altos das pessoas que, reais ou não, provocam sensações boas e ruins nesse meu coração ciumento e vacilante.

Mas nem só de sorrisos vive o social… Se você ver os comentários sobre assuntos polêmicos (ou nem tanto) no Facebook, trending topics do Twitter, ou até mesmo em notícias de grandes portais, você verá uma face não muito legal dos seres humanos. O ódio expressado e proporcionado pela distância física entre as pessoas. Na internet, esse tipo de pessoa tem nome: hater. Mas não é só de haters que vive a internet, às vezes eles agem mal por causa dos trolls (se ainda não conhece os termos, vale a pesquisa)… Assim, o ódio e as mágoas vão só aumentando.

Porém, rede social não se resume a isto, até porque, como viver sem o Whastapp (ou similares)? Ferramenta que mudou para sempre (por enquanto) a forma como nos comunicamos nesse mundo. Como exemplo, ontem tive um problema em sala, enquanto dava aula: o projetor de vídeo não estava funcionando. Pra resolver a situação, ao invés de copiar o exercício na lousa, enviei o exercício pelo aplicativo para meus alunos – assim eles também não precisaram copiar (que os pedagogos não vejam isto, muito menos meu coordenador rs). É provável que você conheça usos destas ferramentas muito bem aplicados por empresas ou outras entidades. Não pretendo gastar o tempo de vocês falando dos benefícios e malefícios desta ferramenta, pois são muitos, para ambos os lados. Mas uma me chamou atenção, pois pouco antes de escrever este texto, um grande portal noticiou uma pesquisa realizada pela Universidade de Pittsburgh (EUA) associando o uso de mídias sociais à problemas de sono.

Vamos jogar limpo, quantos aqui não tiveram algum tipo de dificuldade com alguma rede social? Excesso de perda de tempo, o recebimento de algum tipo de vírus, viu fotos ou vídeos que não gostaria de ter visto, ou ainda teve sua privacidade exposta de forma indevida? As queixas são muitas e bastante diversificadas. Se você ainda acha que não sofreu com nenhum problema, fique tranquilo, ou já aconteceu e você não soube, ou ainda vai acontecer.

Por outro lado, quem não reviu colegas com quem estudou há muito tempo? Quem não tem um grupo com familiares que a distância isolou (Por que tantos ‘bom dia!’? rs)? Quem não poupou vários telefonemas mandando uma única mensagem? Quem não mandou um ‘áudio’ pedindo desculpas para alguém? Ou quem não deu um ‘like’ para impressionar alguém? Os exemplos são vários e difíceis de homogeneizar.

Mas, perante tantos benefícios e malefícios, como se portar perante essas redes? Se você pesquisar sobre o assunto vai encontrar bastante coisa, algumas interessantes e outras um tanto exageradas. Uns demonizam estas ferramentas e outros endeusam. Mas para mim uma coisa é clara: ferramentas são ferramentas, o problema ou a solução está nas mãos do usuário. Uma faca nas mãos de uma criança é um grande problema, assim também nas de um assaltante. Porém, nas mãos de um cozinheiro é imprescindível!

A palavra de ordem para este assunto (como para vários outros) é equilíbrio! Use com equilíbrio! Pois acredite, até água em excesso pode causar problemas, que dirá as demais coisas que temos para escolher. Mas (e esse “mas” é muito importante), se o uso das redes e mídias sociais tem sido um problema para ti, fique com o conselho de Jesus em Mateus 5:29 e 30 que, parafraseando, diz: se algo atrapalha nossa comunhão com Ele ou com os irmãos é melhor deixar de lado! Agora, se esse não for um problema para ti, que tal apresentar Jesus para quem você conhece? Tem feito isso e não tem tido resultados? Tente não realizar de forma genérica ou invasiva, mas de forma exclusiva e elegante. E sempre com oração!

“Guardar o sábado é participar da intenção de Deus para o ritmo da criação.” (Terence Fretheim)

Quantos dias você trabalha por semana? Quantas horas na semana você dedica a sua família? Aos amigos? Quantas horas você separa para descansar e se permitir despreocupar dos problemas? E, mais importante, quantas horas você separa para estar com Deus?

É incrível como os dias são corridos. São 24h de muito trabalho e obrigações, com momentos fugazes de descanso, e geralmente o fim de semana se torna cansativo por estar repleto de afazeres acumulados, tornando os dias exaustivos. Na minha infância aprendi que no sétimo dia da semana deveríamos celebrar a inauguração do mundo, nos ocupando de desfrutar do amor de Deus na companhia de familiares, amigos, e do nosso próximo e, desde então, com prazer anelo pela chegada do sábado, quando encontro alívio pro cansaço, pra angústia, ansiedade… é algo extremamente milagroso! Não tem como explicar a alegria que sinto em apreciar esse dia! (Lucas 4:6).
Deus, no momento da criação, separou-o para que eu e você pudéssemos relaxar e desfrutar desse presente (Gênesis 2:2), onde suas cargas diminuem e uma paz inigualável te preenche. Essa explosão de alegria só é sentida quando você separa esses momentos para estar completamente com Deus.

Deus nos deu um dia na semana para cessarmos nossa atividades comuns, afim de cultivarmos um relacionamento profundo com ele (Êxodo 20:8-12, Levítico 23:3). O dia que Ele pediu para estar com você é uma dádiva, uma benção, um convite para restaurar sua vida e te conceder um reavivamento espiritual (Ezequiel 20:20).

Experimente!!! Programe-se para que no próximo sábado você possa dedicar à Ele 24h das 168h que tem a sua semana.

Deus está te esperando para que possam desfrutar juntos desse dia especial!

Você já refletiu sobre a Reforma Protestante? Será que foi somente uma ação contrária a um sistema religioso, ou algo mais?

Uma das primeiras manifestações reformistas teve início na França, na baixa Idade Média, que convencionalmente chamada de Idade das Trevas, era uma época na qual os cristãos viviam em escuridão de conhecimento, cegados por vãs doutrinas que nem sequer podiam questionar ou examinar nas Escrituras. Pedro Valdo, então comerciante de Lyon, encomendou com custo uma Bíblia traduzida em linguagem popular e passou a ensiná-la ao povo, mesmo não sendo um sacerdote.
Depois de abandonar a vida burguesa, Valdo passou a ensinar que todo fiel deveria ter acesso às Escrituras em sua própria língua e que esta seria a única autoridade inquestionável. Após sua morte em 1217, os Valdenses continuaram se reunindo em matas e grutas, estudando e ensinando a palavra de Deus. Pouco mais de cem depois, surgiu um homem de similares aspirações, John Wycliffe. Professor da Universidade de Oxford, certa vez ele disse: “A verdadeira autoridade emana da Bíblia.”. Fez sua tradução para o inglês e seus escritos não só deram origem ao movimento dos Lolardos, mas influenciaram dois reformadores da Boêmia, João Huss e Jerônimo de Praga. Wycliffe faleceu em 31 de dezembro de 1384 e, quatorze anos após sua morte, Jerônimo copiava suas obras e as apresentava – com entusiasmo – ao seu grande amigo João Huss, mestre em Teologia e pregador em Praga. Jerônimo não escondia sua admiração pela pregação de Huss, que com postura firme e temperamento forte afirmava que qualquer ser humano podia achegar-se a Deus sem a necessidade de um clérigo ou sacerdote terreno.
Também era notória a eloquência e o brilhantismo de Jerônimo. Extremamente sagaz em suas ponderações, propagava os ideais de Wycliffe e Huss com clareza invejável. Ele viu a condenação de seu amigo promulgada pelo Concílio de Constança, em que ambos foram julgados por difundir as obras de Wycliffe. Após sofrimento e tortura no cárcere, João Huss foi queimado vivo em 06 de julho de 1415. Padeceu cantando “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim.”. Com o cântico silenciado pelo fogo, sua voz continuou a ecoar na mente de Jerônimo, que tinha se retratado para livrar-se da morte. Sua consciência não o deixou em paz, e reerguendo-se pediu nova defesa. Com assustadora erudição e sabedoria, pronunciou os mesmos ensinos de seus predecessores. Julgado herege, foi sentenciado ao mesmo fim de seu amigo Huss, e morreu no dia 30 de maio de 1416.
No início da Idade Moderna nasce na Germânia o principal nome da Reforma, Martinho Lutero. Após todo tipo de privação e trabalho servil como monge agostiniano, Lutero tornou-se sacerdote e recebeu o título de Doutor em Teologia em 1512. Portanto e para tanto, teve acesso à Bíblia, e entrou em choque após ver a corrupção e a luxúria dos eclesiásticos, que pregavam doutrinas contrárias aos ensinamentos que nela encontrou. Conhecedor erudito de grego e hebraico aprofundou-se ainda mais nos estudos e na oração até que a sã doutrina tornou-se clara. Lutero pregou incansavelmente na Catedral de Wittenberg. Condenando a simonia, ele afixou em suas portas as 95 Teses da Justificação pela Fé, fundamentando assim os Cinco Solas da Reforma. Traduziu a Bíblia para o alemão em seu refúgio, no castelo de Wartburg, e ali escreveu o hino da Reforma: Ein feste Burg ist unser Gott (Castelo Forte é o Nosso Deus). Ele morreu em 18 de fevereiro de 1546.
A Reforma continuou a crescer, disseminando-se pela Europa e pelo novo mundo, e hoje encontramos milhares de denominações cristãs distintas entre si. Mas seria este o resultado esperado? Embora pareça uma época muito diferente, o centro da questão permanece pertinente e agora nossa realidade mostra-se paradoxalmente a mesma. Uma fé baseada em conjecturas e falácias. Vê-se a teologia da graça barata, do existencialismo e da prosperidade. Ouve-se o que um pastor, sacerdote ou clérigo fala e toma-se isto por verdade. O comodismo que há na falta de examinar a Bíblia continua sobressaindo-se com admirável competência.
Inúmeras vezes nos portamos como os fiéis da Idade das Trevas. Porém, muito pior que não ter a Bíblia para ler é ignorar a luz que emana de seus textos. Quando nos satisfazemos e aceitamos ensinamentos sem a ponderação ou o estudo aprofundado, voltamos a andar como cegos tateantes num mundo obscuro. Ter acesso ilimitado à palavra de Deus não era, e não é privilégio de todos. Não seria imensa sandice ignorarmos tal oportunidade?
A essência da Reforma Protestante não é sobre divergências religiosas, étnicas ou políticas. Não é a respeito da intolerância derivada do egocentrismo desenfreado. Não é resultante da superficialidade cristã ou da inconsistência emocional. A essência da Reforma é a Bíblia. É ter a mente racionalmente renovada por ela todos os dias. É conhecermos a Deus através da busca diária, entendendo que Sua palavra é útil para ensinar e repreender. Ela é maior que qualquer líder ou denominação religiosa. Enquanto não passarmos tempo examinando-a e conhecendo-a, estaremos padecendo em aparência de piedade sem nem ao menos ver a sombra do Deus vivo. Cristo orou por aqueles que ainda viriam a crer em Seu nome afirmando que a Palavra de Deus é a Verdade. Não se trata de protestar contra tudo que você discorda, ou se demorar em assuntos periféricos.

Trata-se do que de fato é a Verdade, e do quanto você a conhece – e a vive.

Como foi 2015 para você?

Os jornais não param de noticiar tragédias, problemas políticos e econômicos. O cenário projetado para o ano que vem é bem pessimista. E agora?

Toda crise traz sofrimento, mas também muitas oportunidades que poucos aproveitam. Nela, os que escolhem atitudes mais proativas têm ainda mais chances de se destacar.

Não deixe de traçar metas para o ano que vem. Metas são necessárias, pois são declarações de fé. A Bíblia diz que “o justo viverá pela fé” (Hebreus 10:38) e “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6).

Na Primeira Essência, numa dinâmica criada pelo Binho, eu tive a oportunidade de escrever várias metas em relação a várias áreas da minha vida e agora, no fim do ano, ver quais delas foram cumpridas ou não. Foi engraçado ler e perceber como algumas delas eram tão abstratas. Uma delas foi: “melhorar meu relacionamento com Deus”. O que é um relacionamento melhor com Deus? Como posso avaliar isso? Quando isso vai acontecer?

É por isso que as metas devem ser: específicas, alcançáveis (possíveis), pessoalmente relevantes (devem ter importância especial para você), mensuráveis (você pode medir se a alcançou ou não e porquê) e com prazo (quando você quer alcançá-las).

É verdade que traçar algumas metas dá um pouco de medo, mas fico imaginando o limbo que vive alguém que não traça metas e vive simplesmente de um lado para o outro, conforme o sabor do vento. Quem não traça metas não tem fé, e por isso não tem esperança.

Tomara que esse tenha sido um bom ano para você. Se não foi, tenho certeza que teve excelentes oportunidades de aprender com tudo que aconteceu. Já tirou um tempo para refletir nisso e fixar novas metas?

Feliz 2016!

Ao avaliar uma paciente, os sintomas que apresentava não deixavam dúvidas; Depressão!! Um tipo de doença classificada pela psiquiatria como um transtorno de humor. Isso mesmo, uma doença! Um diagnóstico como esse é  geralmente recebido pelo paciente como uma má notícia. O significado dado por esta paciente, em particular, foi ainda pior, com um grau de sofrimento ainda maior… Na realidade, expressou revolta. Motivo da revolta? A paciente informou que essa doença era incompatível com sua fé cristã. As palavras dela foram “Isso não pode ser verdade! Eu não aceito esse diagnóstico! Deve ter algum erro nisso porque eu sou uma cristã fiel! Repreendo isso!”

A revolta desta mulher expressa, quem sabe, a inquietude ou o pensamento perturbador de muitos cristãos; talvez até de alguns que conhecemos por viverem ao nosso redor… Quem sabe, o seu próprio pensamento. Sim, você que lê essas linhas… Pensamentos do tipo “Como alguém que está em Deus pode ter depressão?” “Um cristão em depressão? Isso não seria falta de fé?” “É um absurdo. Não pode!” “Cristão também têm depressão?”

Precisamos primeiramente entender e aceitar o fato de que vivemos num mundo pecaminoso… portanto, adulterado em relação ao que deveria ser. Um mundo profundamente adoecido. A depressão possui todas as características de uma doença. E é assim classificada pela medicina. Como doença, para se instalar e manifestar, não seleciona características como cor, credo, gênero, classe social ou nível de inteligência.

Como expressão resultante da desordem e do desequilíbrio, é um fenômeno epidêmico e irreversível em nosso mundo e na existência humana. Estatísticas mundiais colocam a depressão como o “grande mal do século”. Mas o que é a depressão? Tem como prevenir? Há algo a fazer quando já se faz presente? A relação com Deus pode alterar algo num quadro depressivo?

A depressão pode ser vista em suas várias faces: química, psicológica, comportamental, espiritual… Gosto e procuro vê-la, sempre que possível, em seu aspecto químico. Porque tudo o que ocorre dentro do organismo humano se expressa quimicamente. Pensamentos, percepção e interpretação dos fatos, emoção/sentimentos, reação fisiológica, comportamentos… são fenômenos que, mesmo recebendo nomes e adjetivos diferentes, acontecem através de uma cascata complexa de reações químicas.

Fatores como: desequilíbrios nutricionais, estresse continuado, expressão genética (capaz de alterar a construção e/ou fluxo hormonal e de neurotransmissores), situações externas interpretadas como perda… são fenômenos com grande capacidade de desencadear uma depressão. Dá prá se ter uma ideia, então, da grande possibilidade de qualquer pessoa, mesmo quando cristão, vivenciar a depressão. Pensar esta doença como uma fragilidade na fé e na relação com Deus é ignorar que temos um corpo que, comparado a uma máquina, pode apresentar defeitos.. que inclusive já veio a este mundo ‘de fábrica’ com ‘defeito’.

Um aspecto importante a considerar é a estreita relação entre o estado químico do organismo e o funcionamento psicológico. Geralmente, a maneira como a mente processa pensamentos, significados e interpretações, está intimamente de acordo com o estado químico do organismo daquele momento. Por exemplo, estado químico de raiva está ligado com pensamentos de raiva… ansiedade e medo, à pensamentos de que algo ruim poderá acontecer… No caso da depressão esse mecanismo pode ser um agravante porque quando a pessoa está quimicamente deprimida – por exemplo, pela alteração funcional da ‘serotonina’ e aumento significativo e continuado do ‘cortisol’ – será muito comum esta pessoa processar pensamentos, julgamentos e significados negativos das situações ao redor e do futuro. E ao negativar suas percepções – sobre si, sobre o ambiente ao redor e sobre o futuro – o estado químico disfuncional se altera ainda mais… num mecanismo de retroalimentação, gerando um ciclo depressivo continuado. A armadilha depressiva está instalada, e o indivíduo vítima da depressão.

Mas talvez você pergunte “mas e a fé do cristão?” Então… é possível afirmar que a depressão afeta negativamente muito mais a fé, do que a fé afeta positivamente a depressão. A bíblia define fé como “a certeza de coisas que se esperam; convicção de coisas que não se vê” (Hebreus 11:1). Dá pra dizer, portanto, que fé é atribuição de verdade a uma ideia. Assim, se envolve ‘certeza e convicção, mesmo não se vendo’, ‘atribuição de verdade’, ‘idéia’… Então, envolve fenômenos mentais, algo sendo processado quimicamente pelo cérebro através de mecanismos celulares complexos, redes de comunicação (sinapses) e neurotransmissores. Portanto, um fenômeno neuro-bioquímico-fisiológico. Até mesmo uma visão distorcida sobre Deus, como um Ser punitivo, rígido, distante… poderá ter uma correspondência emocional de medo, tristeza… alterando quimicamente ainda mais o indivíduo.

Quando o mecanismo “neuro-bioquímico-fisiológico” sofre alteração estrutural e/ou funcional, pensamentos e crenças poderão também sofrer alterações. A fé, então, pode ser abalada quando o indivíduo cristão está em depressão severa. O contrário – influencia positiva da fé contra o estado depressivo – nem sempre ocorre da mesma maneira, principalmente no estágio mais severo da doença. Por que? Porque, sendo a fé, pensamentos e crenças – na realidade fenômenos neuroquímicos – estarão naturalmente em concordância fisiológica com o estado químico disfuncional da depressão.

Mas então a fé em Deus não serve pra nada no estado depressivo? Serve sim! E pode ter grande utilidade no tratamento e remissão desta triste doença. Mas é preciso entender que cada elemento com potencial terapêutico – medicamento, psicoterapia, grupos de apoio, terapia ocupacional, nutrição, atividade física, etc – tem o seu valor, e deverá ser usado no tempo e modo adequados no processo de tratamento. Por exemplo, se a depressão já está instalada e em nível severo – realidade que deverá ser avaliada profissionalmente – o elemento terapêutico adequado poderá ser o medicamento. Mas onde então entraria a fé neste processo? Pode ser habilmente usada numa psicoterapia ou aconselhamento pastoral, buscando uma reestruturação da forma de pensar, de interpretar, de atribuir significados a situações entendidas inicialmente como negativas – gerando restauração e fortalecimento no grau de esperança sobre a vida, as relações… sobre o futuro. A esperança é um elemento antidepressivo poderoso! E se na fé cristã, a esperança é Jesus, então todo Seu legado: o que falou, ensinou e realizou, pode ser ‘medicamentoso’ ao que se encontra em depressão.

A proposta de Jesus ao homem é claramente expressa em Sua palavra: “… Eu vim pra que você tenha vida… em abundância” (João 10:10). Num mundo adoecido, buscar vida abundante é pensar constantemente em prevenção. É no comportamento de prevenção onde o cristão terá as maiores chances de que sua fé contribua fortemente contra as doenças todas, inclusive a depressão. Prevenção inclui estilo de vida saudável: comida, bebida, sono, movimento físico, conexão com o outro, pensamentos e consciência limpa, espírito de ajuda…

O apóstolo Paulo apresenta duas instruções com forte potencial antidepressivo, se for vivido: “… sejam transformados pela renovação da vossa mente…” (Romanos 12:2); “…tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro… nisso pensai.” (Filipenses 4:8).

Graça e Paz!