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“Não carreguem na bolsa dos padrões de peso, um maior e outro menor, nem usem dois padrões de medida, um maior e outro menor. Usem apenas um padrão de peso, correto e honesto, e apenas uma medida, correta e honesta, para que tenham vida longa na terra que o Eterno, o seu Deus, está dando a vocês. Pesos e medidas desonestos são uma abominação para o Eterno – bem como toda corrupção no mundo dos negócios!” Deuteronômio 25:13-16 (A MENSAGEM).

Recentemente, conheci um jovem natural de Brasília, veterano em um projeto ao qual faço parte hoje. Ao se apresentar ele declarou ser da “capital da honestidade”. De fato, Brasília tem tido sua imagem manchada pelos inúmeros casos de corrupção que encontramos dentro da política, já há muito tempo. Infelizmente, a desonestidade e a corrupção têm sido sinônimos da política brasileira, dentro e fora do Brasil.

Mas será que o problema reside apenas aí? O ser humano, na grande maioria das vezes, tem uma visão muito seletiva dos fatos. Você já percebeu como é fácil identificarmos erros e hipocrisia nos outros? Quando vamos para a Bíblia, nós encontrarmos na experiência do Rei Davi uma ilustração perfeita para esse assunto. Em determinado momento de sua vida, Davi se interessou por uma mulher muito bonita que era esposa de um de seus soldados. Agindo por impulso, Davi se relacionou com ela e conspirou a morte de seu soldado. Um profeta chamado Natã foi até Davi e contou a sua história a partir da perspectiva de outra pessoa. Ao ouvir aquilo, Davi ficou furioso e declarou que aquele homem deveria pagar pelo erro cometido com a própria vida. No final da história, Davi descobriu que a história que foi contata pelo profeta era a história dele mesmo. Ele era o homem que deveria morrer, de acordo com suas próprias palavras. Seria cômico, se não fosse trágico. Mas Davi precisou olhar para fora, para identificar seus próprios erros. Você pode ler essa história em 2 Samuel, capítulo 12.

Você pode achar engraçada a história de Davi. Mas essa história é a sua e a minha também. Nós enxergamos em 4K os erros que outros cometem. Mas quando se trata dos erros que cometemos, a qualidade de resolução é péssima.

Reclamamos da corrupção que há em Brasília. Mas o que dizer do troco errado que aceitamos? Do imposto que sonegamos? Das músicas e dos filmes piratas que baixamos e assistimos e dos programas de computador crackeados que instalamos em nosso computador? O que falar das horas de trabalho que roubamos de nosso empregador ao cuidar de assuntos pessoais e passar tempo em redes sociais? Percebe que a história de Davi se repete em nossa vida também?

A Bíblia declara que Deus “se agrada de pessoas íntegras” 1 Co 29:17. Certamente Ele não está nada contente com alguns dos nossos representantes de Brasília. Mas e de mim e de você, Ele se agrada?

Pois somos feitura dEle, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:10

 

O protagonismo é uma posição muitas vezes desejada, mas poucas vezes compreendida. Nascemos e somos criados admirando liderança e se não almejamos o papel principal em nossos ambientes de relacionamento, certamente buscamos a admiração e reconhecimento desses líderes.

Eu, por exemplo, quando ainda jogava bola e treinava futsal, trocava tudo para ter em meu braço direito a faixa de capitão do time, para poder ter a experiência de auxiliar o técnico sendo o seu porta-voz dentro da quadra. Tudo isso por anseio pela liderança, por uma posição além da comum.

Assim, tentamos sempre nos destacar em todas as áreas de nossa vida e queremos que nosso trabalho não só seja visto, mas reconhecido e propagado.

O contraste desse modo de viver se aclara quando o meu “eu” leva a mesma bagagem para o nossa vida cristã, ou melhor, para nossa relação com nosso próximo e com Deus. Isso porque, quando olhamos as atitudes e palavras de Jesus percebemos que o protagonismo e o reconhecimento jamais virão do nosso trabalho, mas sim do trabalho dEle.

E isso nos traz uma lição crucial: nada que eu faça vai fazer Deus me amar mais do que ele ama o meu próximo. Ou seja, o trabalho de um exímio líder pregador e o “simples” bom dia do recepcionista de um templo, para Deus, têm o mesmo valor. Em breve resumo: Os diversos trabalhos dentro do Reino de Deus têm a mesma importância: o feito pelo “grande”, quanto pelo “pequeno”; o feito pelo “rico” ou pelo “pobre”.

Essa realidade, entretanto, não nos pode desanimar pelo trabalho no Reino por não ser “tão reconhecido quanto gostaria”, mas o contrário: tal entendimento deve colocar em nós a humildade e a compreensão de que o que vale no Reino de Deus é servir, nas formas mais diversas possíveis com o mesmo propósito: apontar para Jesus.

Por isso, utilizando-me da analogia trazida na música “Rojões” dos Arrais, se o seu desejo era “morrer na batalha ao lutar pelo Reino até o fim”, mas a sua convocação foi para ficar no portão cantando das vitórias que os heróis bravamente conseguiram, saiba que para Deus o regozijo pelos serviços é idêntico. Mesmo não sendo o “herói da guerra”, cantando histórias que você não presenciou você compartilha do título “vitorioso no Reino”.

O Reino de Deus é um reino de servidão sem hierarquia entre os colaboradores, que em Jesus descobriram a necessidade de servir ao próximo, mostrando em nossas atitudes o amor daquele que largou tudo para vir ao mundo e nos servir.

 

 

Plínio Martins Filho, ex-diretor editorial e ex-presidente da Editora da Universidade de São Paulo, disse “Se você quer ser editor, não faça contas.”

A afirmação de Plínio foi tão certeira que, neste ano, duas grandes livrarias do país quase fecharam as portas por causa da crise.

E quanto às editoras? Continuam lançando dezenas de livros por ano, apesar da dificuldade que o mercado de livros enfrenta.

Mas de onde vem esse amor pelos livros? Por que simplesmente as editoras e livrarias não fecham as portas de vez? Talvez porque Filho estivesse certo: os editores pensam com o coração, não com a calculadora.

Quando paramos para pensar em amor, em paixão incondicional, não temos como não pensar em Jesus: por que Ele saiu do conforto do trono de Deus, cercado por belezas naturais e perto do Pai? Que amor incondicional é esse que O fez abandonar tudo para vir a este mundo caído, sujo e sem amor para ser maltratado?

Cristo veio ao mundo não para ser aplaudido, não para autografar a Bíblia, mas sim para mostrar o Seu amor pela humanidade. E por que Ele fez isso?

O amor de Jesus por nós é tão grande que, antes de vir ao nosso planeta, o Filho de Deus optou por não fazer contas e focar no resultado: salvar o que se havia perdido.

E agora fica o questionamento: como eu posso não amar esse Deus que permitiu que o Seu Filho morresse por nós? Como eu posso ignorar o que Ele fez e pisar no Seu amor por mim?

Autorizar a vinda de Cristo para salvar a humanidade talvez tenha sido a conta mais difícil de ser feita na matemática de Deus. Por isso, somos gratos e concordamos com Pedro: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos…” I Pedro 1:3

Acompanhe a série “Ele reviveu- assim como Ele disse” no programa Encontros, sábado, às 18h, e entenda ainda mais sobre o amor de Deus pelas pessoas!

No programa Encontros do último sábado, falei um pouco sobre como a Bíblia apresenta princípios que, se observados com sinceridade, nunca teriam permitido que a sociedade executasse a barbárie da escravidão.

Ao mesmo tempo, alguns vão insistir em apontar para o fato de que, em todo o conjunto de leis dadas a Israel no Antigo Testamento, não há um ponto sequer proibindo imediatamente a escravidão naquele país.

Isso é verdade. Mas, precisamos lembrar que o fato de haver uma “permissão” para tal prática já culturalmente sancionada, não quer dizer que aquele era o ideal de Deus para aquela nação

Podemos observar isso facilmente se estudarmos com cautela a parte da legislação de Israel que se referia ao sistema de escravidão. Recentemente, estudiosos compararam as mesmas com as leis sobre escravidão de nações contemporâneas de Israel. O veredito foi claro: as leis contidas no começo da Bíblia foram avanços morais surpreendentes no Oriente Médio.

Podemos dar diversos exemplos desses pontos. Vou listar apenas seis:

  • O tráfico de escravos era passível de pena de morte (Ex. 21:16).
  • Matar um escravo também era passível de pena de morte (Ex. 21:20).
  • Ferir um escravo resultava em imediata liberação dele (Ex. 21:26-27).
  • Um escravo por dívidas deveria ser liberado após 7 anos (Dt. 15:12).
  • Um escravo fugitivo não deveria ser devolvido ao seu senhor (Dt. 23:15-16).
  • Um escravo deveria ser visto como um ser humano igual a qualquer outro (Jó 31:13-15).

Observe com cautela essa lista. Veja que nada disso se parece com a escravidão que o mundo moderno presenciou. Na verdade, mesmo se compararmos com os povos antigos, veremos que o conceito da palavra “escravo” muda totalmente na sociedade de Israel. O que temos aqui, segundo muitos pesquisadores, é mais uma relação de empregador e empregado.

Esses pontos nos ajudam a observar que Deus nunca aprovou a escravidão e que ela realmente é incompatível com os princípios bíblicos que eu pontuei na palestra (a Criação e o Evangelho). Contudo, como um pai paciente e amoroso, Deus foi ao encontro de Israel aonde eles estavam. E tentou ensinar a eles progressivamente e de diversas formas esses mesmos princípios.

Por fim, mesmo não sendo o foco desse texto, creio que um raciocínio parecido possa ser feito com relação a outros “problemas sociais” que parecem não ser atacados de forma direta e imediata na Bíblia, como machismo, poligamia e preconceito étnico. Talvez abordemos isso futuramente. Mas o essencial é que Deus deseja que amemos aos outros como Ele nos ama!

No último programa Encontros, abordamos um assunto muito intenso. Em minha opinião, são os textos mais difíceis da Bíblia. Falamos justamente sobre aquelas narrativas em que Deus aparece ordenando que o povo de Israel destrua outras nações (Ver exemplos em Dt. 20:16-17 e 1 Sm. 15:3).

Conversamos especificamente sobre a justiça de Deus em ordenar essa ordem. Resumidamente, descobrimos que não podemos dizer que Deus foi injusto ao dar esta ordem por várias razões.

Contudo, ao final do programa uma pessoa me abordou e disse de forma muito carinhosa: “Adorei a palestra, mas agora estou com mais outras dúvidas”. E eu fico muito feliz em saber disso. Pois, como vimos, Deus não abomina nossas dúvidas e questionamentos.

De qualquer forma, vou tentar tratar de outra questão sobre esse mesmo tema. Ela normalmente entra na cabeça de qualquer pessoa atenta que esteja estudando o tema dos “genocídios do Antigo Testamento”. Vou tentar expressar essa dúvida da forma como eu vejo ela frequentemente sendo colocada:

“Se Deus podia mandar o povo de Israel no Antigo Testamento destruir nações, o que impede algum radical atual de dizer que esse mesmo Deus mandou ela destruir um grupo de pessoas?”

A primeira coisa que preciso pontuar é que essa é uma excelente pergunta, pois aborda algo cada vez mais comum: o terrorismo ideológico-religioso. Como o cristão sensato pode responder a esse grave problema de forma coerente? Afinal, muitos terroristas dizem ter sido ordenados por Deus para executar diversas atrocidades.

Aqui entram alguns pontos que não abordei na palestra. E o primeiro deles é algo fundamental para compreendermos toda a situação do Antigo Testamento. Naquele momento, o propósito de Deus com o povo de Israel era fazer deles uma teocracia – um povo governado diretamente por Deus (Ex. 19:5-6, Dt. 26:16-19, Jz. 8:23).

Contudo, o ideal de Deus não foi o desejo de Israel como nação. Apesar de alguns indivíduos permanecerem fiéis, a comunidade de Israel demonstrou diversas vezes rejeição ao princípio teocrático (por exemplo, 1 Sm. 8:19, 2 Cr. 13:8). E, de maneira especial, o maior símbolo da rejeição da teocracia por Israel foi justamente a rejeição de Jesus Cristo (que era o próprio Deus, Rm. 9:1-32).

Como consequência disso, Jesus anunciou que o “reino de Deus” seria retirado da autoridade de Israel como nação e entregue “a um povo que dê frutos” (Mt. 21:43). Naquele momento, Deus estava iniciando uma nova comunidade: não mais o Israel étnico, mas o Israel espiritual. Não se tratava mais de um poder político, mas de uma igreja.

Isso nos leva ao terceiro e último ponto que gostaria de enfatizar hoje. A partir dessa mudança radical de perspectiva, como não haveria mais teocracia, não deveria mais haver união entre igreja e Estado. E a implicação mais direta disso é que não haveria mais envolvimento do povo de Deus com violência física. Veja o que Jesus disse claramente:

“O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, os meus servos lutariam, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.” (Jo. 18:36)

E, se isso já não foi suficiente, o apóstolo Paulo deixou bem claro como deve ser a “luta” da igreja de Deus:

“As armas com as quais lutamos não são humanas; pelo contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo.” (2 Co. 10:4,5)

Resumidamente, os cristãos são chamados para lutar com sua mente contra ideias e argumentos. Eles não são chamados para lutar com suas mãos contra pessoas.