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Cerca de seis meses atrás, eu encaminhei para alguns amigos uma mensagem em que pedia que eles dessem feedbacks sobre mim – pontos que eles julgassem fortes e outros nas quais que eu pudesse melhorar. As respostas que obtive deste pedido foram as mais engraçadas, porém trágicas, que eu podia imaginar: 15% deles me encaminharam apenas pontos positivos, 10% me enviaram as duas solicitações. Já a esmagadora e grande maioria, com os 75%, me encaminharam algumas dessas seguintes frases: “Cara, você está bem”? “Está passando por algum problema”? “Está fazendo análise”? E por fim, não me encaminharam mais nada.

À medida em que recebia as respostas eu ria muito e vi o quanto é difícil para as pessoas darem um feedback para alguém. Talvez por que encarem o feedback como uma crítica ao outro e acham que por este simples ato, seu relacionamento – quer seja empregatício, amizade, amoroso, etc. – será influenciado negativamente.

Lógico que receber ou dar um feedback de/para alguém é um exercício; exige prática e o objetivo sempre será baseado na melhoria contínua no outro. Sem apontar dedos, apenas mostrando outra perspectiva de olhar baseado em dados claros e objetivos. Por favor, entenda que feedback não é desabafo! Este processo não tem nada a ver com as suas emoções e sim com fatos.

Jesus era/é muito especialista em dar feedbacks. Podemos listar diversos cenários onde ele conversava com as pessoas e dizia exatamente o que elas precisavam ouvir para as reflexões e o seus respectivos crescimentos e melhorias. Por que Ele era bem-sucedido em dar feedbacks? Porque Ele sabia quem eram as pessoas, sabia como elas agiam, e o principal: tinha amor por elas. Então, se alguém te der um feedback, ouça com amor e contra argumente se necessário for (rima não proposital). Mas reflita, cresça e também ajude o seu próximo neste processo.

“Quem pode perceber os próprios erros”? Esta é a pergunta que encontramos no capítulo 19 de Salmos. O “Quem” eu não posso te responder com precisão, mas uma coisa é certa…pedir um feedback para ajudar a perceber os próprios erros já é uma grande ajuda para o seu crescimento e talvez somente assim você possa alcançar maturidade em seus aspectos pessoais, profissionais e/ou espirituais.

Forte abraço,

Dalton Leça #comcedilha

Você pode não ser um adepto do futebol, mas, nos últimos tempos, tenho certeza que, pelo menos uma vez, você já viu ou pela TV ou por algum tipo de MEME o sinal retangular que o juiz de futebol faz para chamar o VAR.

O VAR é uma tecnologia implantada para tentar diminuir os erros dos juízes nos jogos e, em casos específicos, é possível que ele consulte ao árbitro de vídeo para verificar se a sua decisão foi acertada ou não.

Embora tal tecnologia não existisse há mais de 3.000 anos, um dos Reis mais conhecidos de Israel pôde utilizar de uma “uma segunda chamada” para o mesmo lance de sua vida. Sim, estou falando de Davi.

Enquanto o seu povo guerreava, Davi escolheu adulterar com a mulher de um de seus soldados. Após algumas tentativas de tentar “apagar os seus erros”, resolveu matar o fiel soldado para abafar de vez o caso.

Recebeu, então, a visita de Natã, um profeta enviado por Deus para ter uma conversa com ele. Natã, muito sábio, começa contando uma história ao Rei: em uma cidade havia um rapaz muito rico e outro muito pobre, que possuía apenas uma cordeirinha, criada literalmente como filha. Quando chegou um visitante na casa do rapaz rico, ele foi até a casa do pobre e furtou a sua ovelhinha e a serviu ao visitante.

Davi, então, cheio de raiva, gritou: que este homem morra e devolva em quádruplo a morte de sua ovelhinha.

Nesse momento, então, Natã resolve fazer o sinal retangular e chamar o VAR! Ele pega Davi pelo braço, corre por todo o campo, chega na cabine do VAR e dá play no lance real.

Natã mostra a Davi que o homem rico era ele e aclarando o tamanho de seu erro. A sentença que havia recebido de si mesmo era a morte, mas o seu arrependimento fez com que Deus o perdoasse e que ele não morresse, a despeito de ter sofrido as consequências de seu pecado.

Eu não sei se você tem em sua vida lances que preferiu esconder e deixar despercebido por todos – até por Deus. Se existem, é hora de você chamar o VAR, rever o lance na certeza de que Deus estende o seu perdão e anula o cartão vermelho da morte eterna, te concedendo a chance de uma prorrogação infinita.

Sabe aquele tipo de pessoa que não desce? Que você olha e ao mesmo tempo não quer enxergar? Sério, às vezes penso que elas são provações divinas para que eu mostre a Jesus o quanto eu O amo. Porque meu amigo….é impossível existirem tantas pessoas assim por metro quadrado no mundo – é na escola, no trabalho, na igreja – por onde quer que você passe, (con)viva, se deparará com estes “seres celestiais” que se acham a última bolacha do pacote ou a borboleta do MSN.

O “amemos uns aos outros” que lemos no livro bíblico de 1ª João não se torna difícil…se torna impossível quando temos que lidar com essas pessoas, não é? Mesmo sabendo nós que em seguida Ele fala que “aquele que não ama, não conhece a Deus”, nós criamos um bloqueio natural para com o outro e um simples “bom dia” se torna complicado de falar. Se a nossa vontade fosse cumprida, na verdade um belo “cala boca” e uns cascudos seriam um ótimo substituto para o “bom dia” dessas pessoas.

Sabendo desse contexto turbulento que viveríamos onde o amor percorreria um caminho mais longo para ser atingido, Deus pede – no livro bíblico de Colossenses – que “suportemos uns aos outros” e em seguida fala “e perdoai-vos mutuamente”. Sério, Ele é sensacional! É mais ou menos assim a compilação desses dois pensamentos (pela minha interpretação): “ Amiguinho, não quer amar, não? Você não é obrigado, mas suporte, respeite e perdoe o coleguinha por ele ser assim”.

Consegue enxergar que somente com este primeiro passo de suportar, toda nossa comunidade (no sentido amplo da palavra) seria bem melhor? Entenda… Amar é uma escolha; suportar o outro, uma obrigação. Independente de religião, posição política, etnia ou orientação sexual. Então da próxima vez que a você encontrar com aqueles “seres celestiais”, perdoe e aja com sabedoria; até porque você mesmo pode ser a última esta última bolacha do pacote ou a borboleta do MSN para alguém.

Forte Abraço,

Dalton Leça.

 

Em um dias desse enquanto eu entrava no estacionamento de um mercado, fui abordado com uma senhora, já de idade, com duas crianças me pedindo para comprar dela um chocolate. Falei a ela que eu não tinha dinheiro. Então ela virou e me disse: “moço, se sobrar dinheiro aí na sua compra, mas só se sobrar, compra algum pão pra nós?”.

Naquele momento, depois de muito tempo, eu parei um pouco de pensar no meus pseudo problemas e interesses. Fiz algumas pequenas compras para ela e, quando voltava para o meu carro, vinha pensando: “vou fazer minha boa ação do dia”.

Boa ação do dia?

Foi nesse instante que percebi o quão egoísta eu estava sendo. Sim, por óbvio eu estava ali ajudando alguém, mas, quem sou eu para me declarar naquele instante como “bom”, “justo”, etc?

Então, minha mente se voltou a Jesus e ao seu ministério. Ele ia sim à Igreja e congregava com seus próximos, mas seu ministério não terminava ali dentro. Ele vivia pelo próximo e durante cada respirar procurava servir.

Ele não se contentava em fazer apenas “uma boa ação por dia”, ele ERA a boa ação todos os dias de sua vida.

Naquele dia, percebi que minha “boa ação” era migalha perto da vida de serviço que Jesus quer que tenhamos. Uma vida de abnegação do “eu” para o amor ao próximo, custe o que custar.

E, quando vivermos o “servir”, perceberemos que, mesmo abrindo mão de tudo para benefício do outro, estaremos plenamente completos e satisfeitos, pois Ele nos preenche e, para variar, nos serve com a Sua infinita graça.

Não faça boas ações diárias, seja a boa ação diariamente.

A Bíblia está repleta de histórias sensacionais. Podemos lê-las nos mais variados livros desta incrível biblioteca. Ela apresenta um imenso banco de dados que mistura estilos e sensações por meio de belas histórias. Composta por drama, terror, suspense, comédia, poesia e tantos outros, sua leitura encanta e fascina. No entanto, é evidente que este não é seu objetivo primordial. Muito mais que uma coleção de entretenimento, seu estudo traz luz ao entendimento e clareza para o viver. O leitor mais atento – aquele que examina cuidadosamente esse livro – encontra valiosas lições que se mostram extremamente relevantes, quando a intenção é encontrar a plenitude da vida.

Uma dessas histórias é encontrada no livro de Marcos, capítulo 8, versos 22 ao 25. O texto é tão curto e rápido, que poucas vezes recebe a atenção que lhe é devida. Após Jesus multiplicar pães e peixes para alimentar uma multidão, Ele se dirige a um vilarejo próximo de Cafarnaum chamado Betsaida. Ali lhe trouxeram um cego, afim de que fosse curado. Nesse momento, Jesus resolve o problema daquele homem em duas etapas. Primeiro ele passa saliva nos olhos do cego, estende as mãos sobre ele e lhe pergunta: “Vês alguma coisa?” (Mc 8:23). O homem responde no verso 24: “Vejo as pessoas como árvores que andam.”. A história conta que novamente Cristo impôs-lhe as mãos, e só então ele passou a enxergar perfeitamente.

Não é incomum nos projetarmos no lugar do homem cego. Nossa dificuldade em acertar nas escolhas faz com que, numa frequência enfadonha, nos sintamos seres invisuais frente às decisões da vida. Além disso, referente ao futuro, somos sem sombra de dúvida cegos, tateantes buscando um rumo seguro a trilhar. Porém o processo intermediário permitido por Jesus, na cura daquele homem, é realmente intrigante. Por que Cristo não o curou no primeiro momento? O enfermo disse: “Vejo as pessoas como árvores que andam.”. Note que existe uma inferência moral aqui, a qual extrapola um possível caso físico severo de miopia, hipermetropia ou astigmatismo.

É preciso esclarecer que o texto não menospreza a importância das árvores, nem faz referências aos Ents – personagens criadas no universo fantasioso de J.R.R. Tolkien. A valer, algo fica pertinente na afirmação do cego. Quantas vezes você já enxergou as pessoas à sua volta como árvores? No trabalho, escola, faculdade, trânsito ou até mesmo em casa? Somos levados, pelo cotidiano desequilibrado de nossos dias, a ver pessoas como parte de uma paisagem. Destituídas de valor, sentimento, história e significância, nós às banalizamos ao ponto de sequer nos preocuparmos com atitudes basais como um singelo bom dia, um muito obrigado, ou um por favor.

Não se trata de ser indelicado ou inconveniente, mas sim parar de agir como se não existissem outros à nossa volta. Trata-se de respeitar, com amor, as opiniões e crenças divergentes da sua. Refere-se a, em tempos de modernidade líquida – conceito do sociólogo polonês Zygmunt Bauman –, estar devidamente atento ao rumo dos padrões sociais pós-modernos, mantendo são o limite entre o processo de construção coletiva e o individual. Estende-se a enxergar as pessoas como algo muito além de uma paisagem natural ou cultural. Se analisarmos com maior profundidade, veremos o absurdo da banalização humana no trânsito virtual da violência, que ocorre no viés imaginário de que as imagens compartilhadas não geram consequências às vitimas, ou a seus familiares. Vídeos íntimos, acidentes, mortes, pancadarias. Na verdade, nos variados meios de comunicação social, esses itens são interpretados de modo inconsequente e leviano. São consumidos com insensibilidade e desamor. Tornam-se partes de um entretenimento patológico, denegrido pela distorção que o pecado causou na visão humana, uma indiferença irracional.

Felizmente, quando a visão se torna distorcida, existe alguém que oferece a cura. Quanto mais toques nós recebemos de Jesus, isto é, quanto mais nos relacionamos com Ele – através do estudo da Bíblia e da oração diária – mais claro se torna nosso olhar. Mais altas se tornam nossas aspirações. Mais fácil fica discernir entre árvores e pessoas. Entre ser inconveniente e ser oportuno. Entre ser indiferente e ser amoroso. A história do encontro rápido entre um cego de Betsaida e Cristo, nos mostra a diferença entre as trevas da cegueira, a penumbra da visão distorcida e a clareza da luz. Lições inestimáveis apresentadas em quatro versos.