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O Deus que sente

“Deus é intensamente interessado e afetado pelos seres humanos” (John C. Peckham)

Imagine uma pessoa alegre e confiante. Ela vive com um sorriso no rosto. Sempre otimista mesmo nas mais difíceis situações. Chega a transmitir paz e conforto só de estar no mesmo ambiente. Já conheceu alguém assim? Pelo que nos consta, Frank Ellsworth Graeff era esse tipo de pessoa.

Nascido em 1860 no estado da Pennsylvania (EUA), ele se converteu ao Cristianismo e acabou se tornando um pastor da Igreja Metodista. Logo, ele se tornou famoso por sua postura cativante e seu bom humor. Passou a ser conhecido pelo apelido de “pastor raio de sol”, provavelmente pela sua disposição alegre. E, como é de se esperar de pessoas assim, Frank se tornou um pastor muito popular entre as crianças das congregações por onde passou.

Ao vermos uma pessoa assim, podemos erroneamente assumir que elas não sofrem ou não passam por problemas. Mas, graças a Deus, o pastor Frank nos mostrou que isso está longe de ser verdade. Ele também era um poeta. E um dos poemas mais belos que ele escreveu se tornou um hino cristão. Note as primeiras palavras desse hino:

Será que Jesus se importa quando meu coração

Está machucado demais para cantar,

E as pressões começam a pesar,

E as preocupações me estressam,

E o caminho se alonga demais?

De fato, essa é uma das perguntas mais intrigantes de toda a teologia e filosofia cristãs: Será que Deus sente emoções? Será que Ele é capaz de se identificar com o nosso sofrimento? Será que Ele se alegra quando estou feliz? Será que Ele sentiu algo quando eu passei no vestibular? Ou será que Ele chorou comigo quando minha avó morreu? Ou para colocar de forma mais clara: O amor de Deus é emocional?

Muitas pessoas têm medo de atribuir a Deus algum tipo de emoção. Mas creio que esse medo, apesar de compreensível, é fundamentado em um erro. Tendemos a compreender as emoções como imperfeições justamente porque olhamos para a nossa experiência e vemos os pontos negativos: aquela paixão que nos fez apressar as coisas, o desespero que nos fez desistir cedo demais, a raiva que nos fez perder o controle, etc.

Contudo, eu entendi que nós não devemos tentar ler a Deus com os óculos de nossas experiências, mas tentar compreender o que Ele revela sobre Si mesmo na Bíblia. Se fizermos isso, veremos que temos muitos textos, dos mais variados autores e dos mais variados tipos literários que descrevem Deus sentindo emoções – e as mais variadas emoções. Vou tomar uma delas para refletirmos hoje.

Na famosa Parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:11-31), Jesus descreve como Deus encara a situação de uma pessoa que se afasta dEle e depois retorna. É como um filho que abandona seu pai e vai “viver a vida”. O filho rejeita a companhia do pai. Só se interessa pela herança. Deixa bem claro que não quer mais estar no mesmo ambiente que o pai. E se vai.

Mas as dificuldades da vida fazem esse filho refletir sobre suas ações. Ele se arrepende. E decide voltar para casa envergonhado. Enquanto isso, seu pai (que representa claramente Deus) o observa de longe. Jesus então pinta um quadro muito vivo do amor de Deus em ação.

Nesse momento, o pai se move de “íntima compaixão” – uma expressão grega que é mais bem compreendida como uma sensação forte nos órgãos internos – algo que é rapidamente associado com um ato: o pai corre em direção ao filho e o recebe.

Esse é o Deus descrito e representado por Jesus Cristo: um Pai que ama de forma emocional. Ele sente tristeza quando nos afastamos. Ira-se quando vê uma injustiça. Alegra-se quando decidimos voltar.

O mais lindo de tudo isso foi que o “pastor raio de sol” Frank Graeff já havia compreendido esse aspecto do amor de Deus. No mesmo poema que citei acima, ele responde ao questionamento:

Oh, sim! Ele se importa.

Eu sei que Ele se importa.

Seu coração é tocado pela minha dor.

Quando os dias são cansativos,

E as noites sombrias,

Eu sei que meu Salvador se importa.

 

Sugestão de leitura: O Desejado de Todas as Nações, Ellen White

https://www.cpb.com.br/produto/detalhe/5114/o-desejado-de-todas-as-nacoes

Fernando Monteiro

Olá. Meu nome é Fernando. Sou médico-residente em Psiquiatria. Gosto muito de ler. Meus temas preferidos são: Religião, Filosofia, Cultura, Política e Medicina.

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