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Ao avaliar uma paciente, os sintomas que apresentava não deixavam dúvidas; Depressão!! Um tipo de doença classificada pela psiquiatria como um transtorno de humor. Isso mesmo, uma doença! Um diagnóstico como esse é  geralmente recebido pelo paciente como uma má notícia. O significado dado por esta paciente, em particular, foi ainda pior, com um grau de sofrimento ainda maior… Na realidade, expressou revolta. Motivo da revolta? A paciente informou que essa doença era incompatível com sua fé cristã. As palavras dela foram “Isso não pode ser verdade! Eu não aceito esse diagnóstico! Deve ter algum erro nisso porque eu sou uma cristã fiel! Repreendo isso!”

A revolta desta mulher expressa, quem sabe, a inquietude ou o pensamento perturbador de muitos cristãos; talvez até de alguns que conhecemos por viverem ao nosso redor… Quem sabe, o seu próprio pensamento. Sim, você que lê essas linhas… Pensamentos do tipo “Como alguém que está em Deus pode ter depressão?” “Um cristão em depressão? Isso não seria falta de fé?” “É um absurdo. Não pode!” “Cristão também têm depressão?”

Precisamos primeiramente entender e aceitar o fato de que vivemos num mundo pecaminoso… portanto, adulterado em relação ao que deveria ser. Um mundo profundamente adoecido. A depressão possui todas as características de uma doença. E é assim classificada pela medicina. Como doença, para se instalar e manifestar, não seleciona características como cor, credo, gênero, classe social ou nível de inteligência.

Como expressão resultante da desordem e do desequilíbrio, é um fenômeno epidêmico e irreversível em nosso mundo e na existência humana. Estatísticas mundiais colocam a depressão como o “grande mal do século”. Mas o que é a depressão? Tem como prevenir? Há algo a fazer quando já se faz presente? A relação com Deus pode alterar algo num quadro depressivo?

A depressão pode ser vista em suas várias faces: química, psicológica, comportamental, espiritual… Gosto e procuro vê-la, sempre que possível, em seu aspecto químico. Porque tudo o que ocorre dentro do organismo humano se expressa quimicamente. Pensamentos, percepção e interpretação dos fatos, emoção/sentimentos, reação fisiológica, comportamentos… são fenômenos que, mesmo recebendo nomes e adjetivos diferentes, acontecem através de uma cascata complexa de reações químicas.

Fatores como: desequilíbrios nutricionais, estresse continuado, expressão genética (capaz de alterar a construção e/ou fluxo hormonal e de neurotransmissores), situações externas interpretadas como perda… são fenômenos com grande capacidade de desencadear uma depressão. Dá prá se ter uma ideia, então, da grande possibilidade de qualquer pessoa, mesmo quando cristão, vivenciar a depressão. Pensar esta doença como uma fragilidade na fé e na relação com Deus é ignorar que temos um corpo que, comparado a uma máquina, pode apresentar defeitos.. que inclusive já veio a este mundo ‘de fábrica’ com ‘defeito’.

Um aspecto importante a considerar é a estreita relação entre o estado químico do organismo e o funcionamento psicológico. Geralmente, a maneira como a mente processa pensamentos, significados e interpretações, está intimamente de acordo com o estado químico do organismo daquele momento. Por exemplo, estado químico de raiva está ligado com pensamentos de raiva… ansiedade e medo, à pensamentos de que algo ruim poderá acontecer… No caso da depressão esse mecanismo pode ser um agravante porque quando a pessoa está quimicamente deprimida – por exemplo, pela alteração funcional da ‘serotonina’ e aumento significativo e continuado do ‘cortisol’ – será muito comum esta pessoa processar pensamentos, julgamentos e significados negativos das situações ao redor e do futuro. E ao negativar suas percepções – sobre si, sobre o ambiente ao redor e sobre o futuro – o estado químico disfuncional se altera ainda mais… num mecanismo de retroalimentação, gerando um ciclo depressivo continuado. A armadilha depressiva está instalada, e o indivíduo vítima da depressão.

Mas talvez você pergunte “mas e a fé do cristão?” Então… é possível afirmar que a depressão afeta negativamente muito mais a fé, do que a fé afeta positivamente a depressão. A bíblia define fé como “a certeza de coisas que se esperam; convicção de coisas que não se vê” (Hebreus 11:1). Dá pra dizer, portanto, que fé é atribuição de verdade a uma ideia. Assim, se envolve ‘certeza e convicção, mesmo não se vendo’, ‘atribuição de verdade’, ‘idéia’… Então, envolve fenômenos mentais, algo sendo processado quimicamente pelo cérebro através de mecanismos celulares complexos, redes de comunicação (sinapses) e neurotransmissores. Portanto, um fenômeno neuro-bioquímico-fisiológico. Até mesmo uma visão distorcida sobre Deus, como um Ser punitivo, rígido, distante… poderá ter uma correspondência emocional de medo, tristeza… alterando quimicamente ainda mais o indivíduo.

Quando o mecanismo “neuro-bioquímico-fisiológico” sofre alteração estrutural e/ou funcional, pensamentos e crenças poderão também sofrer alterações. A fé, então, pode ser abalada quando o indivíduo cristão está em depressão severa. O contrário – influencia positiva da fé contra o estado depressivo – nem sempre ocorre da mesma maneira, principalmente no estágio mais severo da doença. Por que? Porque, sendo a fé, pensamentos e crenças – na realidade fenômenos neuroquímicos – estarão naturalmente em concordância fisiológica com o estado químico disfuncional da depressão.

Mas então a fé em Deus não serve pra nada no estado depressivo? Serve sim! E pode ter grande utilidade no tratamento e remissão desta triste doença. Mas é preciso entender que cada elemento com potencial terapêutico – medicamento, psicoterapia, grupos de apoio, terapia ocupacional, nutrição, atividade física, etc – tem o seu valor, e deverá ser usado no tempo e modo adequados no processo de tratamento. Por exemplo, se a depressão já está instalada e em nível severo – realidade que deverá ser avaliada profissionalmente – o elemento terapêutico adequado poderá ser o medicamento. Mas onde então entraria a fé neste processo? Pode ser habilmente usada numa psicoterapia ou aconselhamento pastoral, buscando uma reestruturação da forma de pensar, de interpretar, de atribuir significados a situações entendidas inicialmente como negativas – gerando restauração e fortalecimento no grau de esperança sobre a vida, as relações… sobre o futuro. A esperança é um elemento antidepressivo poderoso! E se na fé cristã, a esperança é Jesus, então todo Seu legado: o que falou, ensinou e realizou, pode ser ‘medicamentoso’ ao que se encontra em depressão.

A proposta de Jesus ao homem é claramente expressa em Sua palavra: “… Eu vim pra que você tenha vida… em abundância” (João 10:10). Num mundo adoecido, buscar vida abundante é pensar constantemente em prevenção. É no comportamento de prevenção onde o cristão terá as maiores chances de que sua fé contribua fortemente contra as doenças todas, inclusive a depressão. Prevenção inclui estilo de vida saudável: comida, bebida, sono, movimento físico, conexão com o outro, pensamentos e consciência limpa, espírito de ajuda…

O apóstolo Paulo apresenta duas instruções com forte potencial antidepressivo, se for vivido: “… sejam transformados pela renovação da vossa mente…” (Romanos 12:2); “…tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro… nisso pensai.” (Filipenses 4:8).

Graça e Paz!

Esta é a segunda parte de nossa reflexão sobre o real sentido do Natal (A primeira você encontra aqui.).

Vimos anteriormente que Deus, para resolver o problema do pecado, se fez humano na pessoa de Jesus Cristo e pagou a pena pela culpa de cada ser humano. Com isso, ele pode justificar (declarar justo) a todos nós. Esse é o começo da vitória.

Porém, precisamos ter muito cuidado, pois é muito fácil escorregar para um erro teológico importante. Podemos observar esse erro em duas formas: o Legalismo e o Universalismo. Vamos compreender cada um deles e notar onde está o equívoco.

O Legalismo acontece quando acreditamos que a Justificação só se torna real se houver uma mudança de ações de nossa parte, ou seja, Deus só vai nos perdoar se começarmos a obedecê-Lo. O erro nesse pensamento é que ele desconsidera as claras afirmações bíblicas a respeito da gratuidade da Justificação. Efésios 2:8, diz: “Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus.”. Gosto muito da analogia que Paulo faz com os presentes. A ideia é que presentes são coisas que damos a alguém. Não são salários ou pagamentos.

Também observo que o pensamento do Legalismo desconsidera a Onisciência de Deus. Se Deus sabe de todas as coisas que acontecem, será que Ele também não saberia quem O ama de verdade? Será que Deus precisa de provas de amor, como nós precisamos? Você acredita em um Deus onisciente ou em um Deus limitado?

O Universalismo, por sua vez, é o pensamento de que Deus já justificou todo mundo independente da relação de cada pessoa com Ele ou mesmo se essa pessoa aceita essa justificação. Ora, essa ideia também enfrenta grande oposição bíblica (João 3:16, Romanos 5:1, Gálatas 3:24). Mas um texto muito interessante está em Romanos 4:3, onde Paulo se refere a Abraão. Ele relata que Abraão “creu em Deus” e isso foi considerado para a sua Justificação. A ideia bíblica é que a fé em Cristo torna a Justificação real na nossa vida.

Mas se nós precisamos ter fé para sermos justificados, a Justificação não deixaria de ser um presente? Na verdade, não. Vamos seguir na analogia dos presentes. Quando eu compro um presente para você, é uma dádiva de amor. Mas se você não aceitar e receber esse presente, é como se esse presente deixasse de existir. De certa forma, o presente não se tornou real em sua vida. A fé em Cristo é a maneira como estendemos a mão para aceitarmos e recebermos o presente da Justificação.

O que precisamos entender é que a Salvação é sempre um movimento que parte de Deus em direção ao ser humano. Se inicia nEle, se desenvolve nEle e se finaliza nEle. Ele não faz isso por que merecemos. Ele não faz isso por obrigação… Salvar não é uma necessidade para Deus, mas apenas uma consequência do amor que Ele livremente escolheu ter por nós. E tudo isso se manifestou na vida, morte e ressureição de Jesus Cristo.

Salvar significa lidar com o problema do pecado e da maldade da melhor maneira possível: a maneira definitiva. Não tenho espaço suficiente para lidar com a Santificação e a Glorificação, mas é suficiente dizer que Jesus quer lidar com o Pecado por completo. Não apenas com a Culpa, mas também com a Prática. Não apenas com a Prática, mas também com a Existência do Pecado. E Ele cumprirá esse propósito na vida de todos que o permitirem.

Quando penso em Corrupção, Culpa e Cristo, não posso deixar de lembrar a história de Oscar Wilde. Ele foi um dos maiores escritores irlandeses que já existiu. Era um hedonista, buscava o prazer pelo prazer. Levou uma vida recheada de orgias e álcool (e provavelmente outras drogas). Passou certo período de sua vida preso no cárcere de Reading, onde escreveu um de seus mais belos poemas. Copio aqui a tradução de apenas uma parte deste:

Ah! Feliz o dia em que aqueles corações se partirem,

E a paz do perdão vencer!

De que outra maneira pode o homem endireitar seu plano

E purificar sua alma do pecado?

De que outra maneira, exceto por um coração partido

O Senhor Jesus pode entrar?

Você se sente desajustado? Quando observa o Mal que há no mundo e em você, seu coração se despedaça? Se você enxerga a realidade do pecado, a verdadeira solução não é rejeitar essa percepção, não é gastar seu dinheiro em livros de autoajuda, ou correr para um psicólogo/psiquiatra. Ora, não se engane… Se o seu coração se quebrou, é sinal de que Cristo já pode começar a consertar. Ele mesmo diz: “Eis que estou a porta e bato. Se alguém me ouvir e abrir a porta, eu entrarei em sua casa.” (Apocalipse 3:20).

Deixe Ele entrar!

“Há um charme no proibido que o torna intensamente desejável.” (Mark Twain)

Estamos passando por um período do ano muito especial. Todos sabemos que neste momento o mundo comemora o nascimento de Jesus. Muitos até já sabem que esta é uma data simbólica e que Jesus provavelmente não nasceu dia 25 de dezembro. Mas eu gostaria de estimular uma reflexão sobre o real motivo de Jesus ter nascido, vivido e morrido. Preparei esta reflexão em dois momentos. Espero que goste. Vamos lá…

Por muito tempo eu achei que seria muito fácil para qualquer pessoa perceber o quanto a humanidade (em termos gerais e individuais) é corrupta. Porém, estou começando a aprender que as coisas não são como eu pensava. Parece mesmo muito mais fácil identificar a corrupção em sua forma mais explícita (nazismo, ISIS, violência sexual, etc), do que em sua forma mais pessoal e mascarada.

Entretanto, acredito que, no fundo, todos percebem que algo deu errado. E não estou falando de uma percepção necessariamente emocional ou racional… É algo maior. É uma percepção existencial de que “as coisas não são como deveriam ser”. Não deveríamos dizer aquela mentirinha inocente. Não deveríamos ter de passar pelo luto. Nosso corpo não deveria estar definhando lentamente.

Essa percepção pode ser rejeitada, escondida de baixo do tapete do palácio da nossa mente. Mas se você escolheu encará-la, provavelmente passou por momentos de profunda angústia e dúvida sobre o que fazer para “consertar as coisas”. Talvez, tentou inúmeras fórmulas que você mesmo ou outras pessoas criaram: Salvação pelo Trabalho, Salvação pelo Prazer, Salvação pela Academia, Salvação pelo Prozac… Nada deu certo. O que fazer então?

A Bíblia conta a história da humanidade de uma forma no mínimo curiosa. Logo nas primeiras páginas é descrito o processo em que os seres humanos romperam a ligação que possuíam com Deus. E a partir dessa “queda”, a depravação e o sofrimento da humanidade se desenvolvem. Nesse contexto, se origina nosso “desajustamento”: notamos o Mal no mundo, notamos o Mal em nós e não queremos viver isso. Mas a Bíblia não foi escrita apenas para contar a “história do Mal”. Ao contrário, ela foi escrita para mostrar a solução. E essa solução é originada no próprio Deus, que havia sido traído. E, se você pensar bem, isso até faz sentido. Se o próprio Sistema (Natureza) em que vivemos foi infectado pelo Mal, a única esperança se encontra em um ser que esteja fora desse Sistema. E quem melhor do que Aquele que havia criado esse Sistema de maneira perfeita?

Filosofias à parte, o que vemos ao longo de todas as páginas da Bíblia é esse Deus fazendo repetidas incursões na Terra em busca de resgatar aquela ligação perdida. O conceito bíblico para a corrupção humana é Pecado e para o resgate é Salvação. O propósito de Salvação atinge seu cumprimento completo em Jesus Cristo.

De maneira simples, podemos compreender a Salvação bíblica como três etapas: Justificação, Santificação e Glorificação. Hoje, vou tentar explicar apenas a Justificação. Porém, é muito importante notar que essa divisão é apenas uma maneira de facilitar a nossa compreensão. Biblicamente, tudo acontece de forma contínua.

A palavra Justificação aparece inúmeras vezes na Bíblia. E seu significado básico é “declarar justo/inocente”. A figura do tribunal é quase que automática: Deus é o Juiz e nós somos os Réus. O problema é que a própria Bíblia diz que todos nós somos culpados perante o Juiz (Romanos 3:23). Ela também diz que Deus é justo (Isaías 61:8). Como resolver o dilema?

Deus também é amor. E Ele amou cada um de nós de maneira tão sublime que decidiu pagar a pena da nossa culpa nEle mesmo, ao tomar a natureza humana em Jesus (João 3:16). Assim, Ele pode oferecer para nós o direito de sermos chamados inocentes. A justificação é o momento em que Deus transfere os dados da sua ficha criminal para a ficha dEle e, com isso, te dá uma ficha limpa.

Ser justificado é receber o perdão de Deus, sem que seus erros sejam ignorados.

Senhor,

Escrevo essa carta para dizer-lhe o quanto tenho sentido dificuldades para discernir como me portar diante do inimigo.

O inimigo me vê como um anfíbio, metade físico e outra metade espiritual. Sei que minha metade espiritual nasceu para a eternidade porque sou uma filha Sua! Mas minha natureza física pertence à temporalidade da vida. Enquanto meu desejo único é viver pensando na eternidade de estar ao Seu lado – começando aqui na Terra -, sei que a minha temporalidade humana passa por muitas mudanças. E isso é uma constante em minha vida! Essa ondulação recorrente volta a um nível do qual caio repetidamente, ou seja, uma série de altos e baixos!

Essa minha ondulação está ligada à todos os setores da minha vida – o interesse pelo trabalho, a afeição pelos amigos, os apetites físicos; enfim… tudo sobe e desce. Sei que enquanto viver nesta Terra, períodos de riqueza e vitalidade física serão alternados com períodos de pobreza e enfraquecimento. Essa aridez e embotamento que carrego constantemente em relação a minha vida são pura e exclusivamente obras minhas, e que podem ser frequentemente usadas pelo meu inimigo para me manipular.

O Senhor me conhece, e pelo pouco que sei pode me ajudar a controlar principalmente os momentos mais baixos da minha vida. Sei que basta entregar-me a Ti. Pessoas e grandes mártires passaram e suportaram tribulações mais duradouras e intensas que as minhas, e o Senhor os susteve.

Sinto que minhas rebeldias e o não desejo de te obedecer por amor, tornam-se apenas um alimento para o inimigo, absorvendo toda minha disposição e aumentando a reserva dele com o meu próprio egoísmo. Bem, sei que ao contrário de tudo o que muitos podem pensar, à Sua obediência, a que o Senhor espera de mim, é algo bem diferente. O Seu amor por mim me permite obedecer em perfeita liberdade, e eu já provei isso, várias vezes, não é uma propaganda enganosa. Tornar-me à Sua semelhança qualitativamente, não porque o Senhor me absorve, e sim porque a minha vontade está em espontânea harmonia com a Sua. Enquanto o inimigo quer me tornar um boi em seu vasto gado servindo-o como alimento, o Senhor quer amigos que se tornarão filhos e filhas. Ele quer me sugar; o Senhor quer me fortalecer. Ele me deixa vazia, na tentativa de me preencher com inutilidades; o Senhor me preenche para me fazer transbordar em amor.

E é aí que entram os tais baixos da tal ondulação. Quantas vezes já supliquei para o Senhor me transformar em um robô para que tão somente fizesse o que o queres que o faça. Paizinho, sei que poderia utilizar Seus poderes para estar de modo perceptível para mim, com a intensidade que quisesse escolher e desejasse. Mas sei que o Irresistível e o Indisputável são duas armas que Você nunca usaria, até porque se assim o fosse neutralizaria a minha vontade humana e eu perderia todo o meu livre arbítrio. Sei que o Senhor não pode, em nome de Seu próprio caráter, me violentar; mas apenas me cortejar. Sempre esteve disposto a me guiar, através da Sua palavra sendo para mim grandiosa, repleta de candura emocional e zelo racional, fazendo-me vencedora na tentação. Nessa caminhada, andando com minhas próprias pernas me deparo com tarefas pouco atrativas e tribuladas, assim, minhas preces tornam-se mais desejosas e suplicantes de uma benção. E com certeza imagino o Seu sorriso nos lábios dizendo: “Filha amada, meu coração transborda de alegria porque antes de confiar em mim para ajudá-la, Eu confiei em você por amá-la. Darei a benção necessária para a sua salvação… Porque Eu te amo!”

Quem dera o Senhor pudesse “tentar” a minha vida para a virtude na mesma proporção que o inimigo me tenta para a perversão! Quer me ver crescer em amor e obediência a Ti, mas confesso que isso dói. Mas quem disse que crescer é fácil? Quem disse que obedecer é facil? De fato, só obedece de verdade quem ama para negar-se a si mesmo para fazer a vontade do outro! Ajuda-me, Pai, a entender esse amor que não mereço, para que o fruto possa ser uma vida de obediência a Ti, não como um robô, mas como uma filha por direito!

Com o desejo de aprender a te amar e obedecer que escrevo.

Da Sua querida filha (o).

  • Sandra - Texto fantástico, que representa bem a constante batalha entre o dever e o querer, entre o bem e o mal, o saber e a sedução…
    Enfim, palavras que parecem retratar o que eu sinto.respondercancelar

“Vi um homem vestido de trapos, de costas para sua casa, com um livro na mão e carregando um grande fardo. Olhei e o vi abrir o livro e lê-lo. Enquanto lia, chorava e tremia.” É assim que começa a história de Cristão, do famoso conto O Peregrino, de John Bunyan. Cristão começa a saga para tentar se livrar do fardo que tanto o incomodava.

Eu não sei você, mas eu tenho fardos que me incomodam. Minha mente vira e mexe me lembra de coisas que eu poderia ter feito diferente. Palavras mal expressadas, horas perdidas, pra não dizer realmente as maldades por mim cometidas.

“Culpa” é o termo que usamos para os sentimentos negativos que repetidamente experimentamos quando cometemos um erro que consideramos grave, ou quando fazemos algo que gostaríamos de não fazer ou de não ter de fazê-lo. A mente ativa a preocupação, revê vezes sem conta as escolhas ou ações e os resultados envolvidos; experimentamos um enorme sentimento de remorso que, para muitos, parece um misto de náusea e um senso palpável de arrependimento muito significativo.

SE eu tivesse mais uma chance, SE eu voltasse no tempo, SE quem eu amo ainda estivesse por aqui… Ahhh, como eu faria diferente. Lembra daquele segredo que você prometeu não contar pra ninguém? Lembra o que você fez? Lembra que acharam a fonte? Dói, né?

Várias são as saídas para diminuir a culpa, e eu já provei algumas.

Podemos beber para esquecer! Mas a dor de cabeça vai te lembrar a razão de tudo. Podemos assistir uma série nova ou antiga, podemos jogar Candy Crush! Fazer uma viagem. Tentativas de buscar meios de fuga para aliviar o sentimento. Mas a culpa ainda estará ali te esperando. Alguns passam a vida errando e se culpando; outros sendo vítimas dos erros dos outros, e culpando-os; outros não fazem nada ou, em tudo que fazem, são culpados; e outros, ainda para justificarem seus próprios erros, nos culpam. Que loucura, não? Virando uma grande bola de neve, despencando sobre uma geleira, sabendo exatamente em que isso irá resultar. Este tipo de fuga não é somente um atributo nosso, também foi o de Cristão de Bunyan.

Tem um componente que acompanhou Cristão em toda sua jornada e é descrito desde o princípio, que ele possuía um livro em suas mãos, e “[… ] Enquanto lia, chorava e tremia!”

O conto fala da importância que aquele livro trouxe durante toda a sua longa caminhada. Sua leitura simplesmente proporcionou a autorreflexão, fez com que analisasse sua própria vida, sua moral, os sentimentos que o moviam, seus atos, e uma preocupação a respeito do seu futuro. Se continuasse daquele jeito, o que seria de Cristão?

Este livro lido por Cristão é real, e todos podemos ter acesso às suas páginas. Contém diversas experiências das mazelas humanas e das providências misericordiosas de Deus. O livro é a Bíblia. E ela é capaz de nos mostrar onde erramos, e de nos fazer sentir culpados por nossa natureza desviada do bem. Mas espera aí! Se não quero me sentir culpado, me livrar deste sentimento tão doloroso, porque procurar algo que me mostre culpado?

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Contudo John Bunyan continua a narrativa:

“Cristão chegou a um lugar íngreme, em cujo topo se erguia uma cruz de madeira, e mais em baixo havia um túmulo vazio. Ao aproximar-se da cruz, o fardo lhe caiu das costas, rolando para dentro da sepultura, e não o viu mais.”

Acredito que não exista sentimento melhor que o da culpa removida, ou um pecado perdoado, uma falta totalmente esquecida, uma leveza no ser. Chegar ao pé da cruz que nos livra de todo e qualquer sentimento de culpa e perdão é o que todo ser humano deseja obter.

O livro em si não nos faz perder os fardos, mas nos apresenta a cruz e o caminho para ela. Perante a cruz de Jesus (figura de linguagem para falar de Jesus e seu sacrifício) nós só temos um trabalho a fazer: escolher! Que coisa não? Somente escolher aceitar o que Jesus fez na cruz por mim.

O segredo não está em sentir-se culpado pelo erro, nem mesmo ter um livro de capa preta e carregá-lo por aí, o segredo está em aceitar o perdão. Aceite e viva! Simples assim. A propósito, isto é graça!

Eis algumas dicas do livro que Cristão por todo lado levava:

Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14:6)

E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:14-16)

 Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. (Mateus 5:3)

Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seus entendimentos; acrescenta: E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades. (Hebreus 10:16-17)

Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus. (Efésios 1:7)