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“O amor de Deus é a libertação para o homem amar de verdade.” (Karl Barth)

Este é o último texto desta série que estou escrevendo sobre o Amor de Deus. Não tenho e nunca tive a ousadia de esgotar um tema tão complexo assim. Portanto, é muito provável que você veja algum outro texto nesse blog sobre o Amor Supremo.

Mas hoje eu gostaria de abordar um aspecto muito importante, mas que poderia facilmente ser esquecido ou pouco enfatizado. Se você está acompanhando os textos desta série, verá que esse assunto é praticamente uma sequência lógica do assunto do texto anterior. E, por isso, quero ser mais direto. A questão é: o Amor de Deus é recíproco? Deixe-me colocar de outra forma: será que Deus espera que O amemos de volta? Ou será que Ele é “sempre o remetente e nunca o destinatário”?

Para nos ajudar com isso, a Bíblia apresenta claramente qual o propósito de toda a ação de Deus em relação a nós. Na sua famosa e polêmica Carta aos Romanos, o apóstolo Paulo escreve dizendo que “todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” e continua explicando que, ao recebermos o Espírito de Deus em nossa vida,deixamos de ser escravos e nos tornamos filhos (Rm. 8:14-15).

Ora, essa é a imagem da adoção, como alguns teólogos gostam de dizer. O propósito maior de Deus para todos os seres humanos é que esses se tornem seus filhos. Mas, você pode pensar, não somos todos filhos de Deus por termos sido criados por Ele?

Para entender isso, você precisa lembrar que, de acordo com a visão bíblica, o ser humano foi sim criado por Deus de forma perfeita e desfrutava de um relacionamento de amor com Ele. Contudo, quando os primeiros seres humanos desobedeceram à ordem expressa de Deus, eles deram início a um problema que nos afetou ao longo dos séculos: o pecado. E a própria Bíblia diz que esse mesmo pecado cria uma separação entre nós e Deus (Is. 59:1-3).

Portanto, precisamos entender que, nesse contexto, por nossa própria natureza, não somos filhos de Deus. E eu acho que essa é a coisa mais difícil que temos para compreender. Estamos não apenas separados de Deus. Mas estamos “do outro lado”, atrás das linhas inimigas. Nossa natureza está em oposição a Deus. Estamos, como Martinho Lutero gostava de dizer, “completamente depravados”. E não há nada que possamos fazer para resolver esse problema.

Não há nada que nós possamos fazer. Pois as Escrituras dizem que Deus quer e pode fazer algo para resolver isso. Ele cria a ponte. Ele abre o caminho. Ele busca e corre atrás. Ele envia impulsos de amor ao meu e ao seu coração. Até que possamos voltar para Ele. Sim, o objetivo de toda a qualquer ação de Deus com relação a nós é simplesmente restaurar essa relação pai-filho.

Creio, então, que fica muito mais fácil entender que o amor de Deus é sim recíproco. Pode até ser, como comentei no último texto, que Ele tenha o impulso de nos amar e nos busque. Mas, assim como numa relação de pai e filho o amor não é unilateral, Deus também espera que O amemos de volta.

Então, estabelecemos essas duas verdades aparentemente antagônicas: que naturalmente somos completamente destituídos de impulsos bons em direção a Deus e que Ele espera que o amemos de volta. O desespero seria a consequência mais racional, caso não tivéssemos mais revelações da Palavra de Deus. Leia o que está escrito na Primeira Carta de João:

“Sabemos quanto Deus nos ama e confiamos em seu amor. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele. À medida que permanecemos em Deus, nosso amor se torna mais perfeito… Nós amamos a Deus porque ele nos amou primeiro.” (1 Jo. 4:16,17,19)

Veja que maravilha a solução que a Bíblia nos apresenta. Ela nos mostra a nossa necessidade e nos mostra a solução. E ambas residem na mesma pessoa: Deus. O teólogo John C. Peckham resume essa ideia com a maestria que eu nunca conseguiria expressar: “pela ação e mediação iniciadoras de Deus, os seres humanos são capacitados a retribuir verdadeiramente e livremente o amor divino, refletindo (embora imperfeitamente) o Amor de Deus”.

Eu pensei que uma figura poderia representar melhor isso:

 

Você, meu caro leitor, tem uma imensa necessidade (mesmo que ainda não tenha percebido): se tornar filho de Deus. E o único caminho para que isso possa acontecer é receber esse Amor Perfeito na sua vida, aceitando a Jesus como seu Salvador, e então permitir que esse Amor flua retorne a Deus.

Sugestão de leitura: Como Conhecer a Deus, de Morris l. Venden

https://www.cpb.com.br/produto/detalhe/5096/como-conhecer-a-deus

“Desobedeci às ordens de Deus, o Senhor, e às instruções que você deu. Fiquei com medo do povo e fiz o que eles queriam […]” I Samuel 15:24

 

Nathália Arcuri, conhecida como Nath, é a criadora do maior canal de finanças pessoais do mundo, o Me Poupe. Nesse canal, ela ensina como economizar e equilibrar as finanças para começar a investir e ter uma vida mais tranquila.

Na palestra da TED Talks intitulada “O poder do não e o dinheiro”, Nathália explicou que ouvir a palavra “não” desde a infância contribuiu para que ela se tornasse milionária: a cada “não” dos pais, do chefe e dos colegas de trabalho, novos caminhos foram traçados de forma que ela descobriu, sozinha, meios para realizar os sonhos de infância.

Muitas pessoas foram convencidas de que o “não” tem mesmo poder e é importante para o crescimento pessoal. No entanto, o ser humano tem dificuldade de aceitar um “não” de Deus. Por quê? Geralmente porque, antes de uma resposta negativa, houve oração, jejum e até promessas feitas caso o pedido fosse atendido. É como se estivéssemos barganhando favores com Deus: orei, fiz boas ações, jejuei, por isso tenho direito a receber o que pedi.

Após levar espólios de guerra que Deus disse para não levar, Saul declarou ao profeta Samuel:

 “— Eu pequei! — respondeu Saul. — Desobedeci às ordens de Deus, o Senhor, e às instruções que você deu. Fiquei com medo do povo e fiz o que eles queriam. Mas agora, Samuel, eu peço que perdoe o meu pecado e volte comigo para que eu possa adorar o Senhor.”

Mesmo depois de ouvir uma resposta negativa vinda de Deus, às vezes nos arriscamos fazer o que temos vontade, assim como Saul.

Porém, o que não enxergamos, é que o “não” de Deus pode nos livrar do orgulho, da inveja, da tristeza, de um relacionamento tóxico e até mesmo de um divórcio. O problema é que, quando Deus nos mostra algo que não queremos fazer, fica mais difícil confiar Nele. É como se Ele não soubesse o que está fazendo. Acabamos nos esquecendo de que Deus é o único que sabe do passado, do presente e do futuro,  quer o nosso bem e sabe o que melhor para as nossas vidas.

Quando Saul deixou de entender a importância de aceitar o “não” de Deus, começou a mudar seu comportamento, suas amizades e se tornou um rei que não priorizava mais as necessidades do povo, mas sim as suas vontades.

Confie em Deus mesmo se Ele te disser “não”. A boa notícia é que Deus está de braços abertos a nos esperar. Para um abraço, a resposta Dele será sempre “sim”.

 

“Deus nunca remove o Seu amor daqueles que desejam receber Seu amor.” (John C. Peckham)

Em nosso tempo, é muito comum ouvirmos que “o amor aceita tudo” ou mesmo que o verdadeiro amor é incondicional. E tenho certeza de que, se eu fizesse uma pesquisa com pessoas comuns, uma esmagadora maioria responderia rapidamente que o Amor de Deus não pode ser outra coisa que não incondicional. Mas será que essa é a melhor palavra para descrever o Amor Supremo?

Creio que uma leitura superficial da Bíblia pode nos deixar confusos com relação a isso. Tome o Evangelho de João por exemplo. Logo no início vemos a bela frase dizendo que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho Unigênito” (Jo. 3: 16). Mas esse é o mesmo Evangelho que apresenta a seguinte frase de Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada” (Jo.14:23). E você se pergunta: Deus ama incondicionalmente ou apenas ama a quem o obedece?

Ou volte para Deuteronômio no capítulo 7. Lá, Moisés estava transmitindo ao povo de Israel as palavras do próprio Deus. Ele começa falando que Deus não tirou eles do Egito por ter “se afeiçoado” (Dt. 7:7) deles – Deus não tem preferidos, por assim dizer. “Mas foi porque o Senhor os amou e por causa do juramento que fez aos seus antepassados. Por isso ele os tirou com mão poderosa e os redimiu da terra da escravidão, do poder do faraó, rei do Egito” (Dt. 7:8). Mesmo assim, poucos versos depois, Moisés diz que eles deveriam obedecer e confiar em Deus, pois fazendo isso, “Deus os amará e os abençoará” (Dt. 7:13). Voltamos à pergunta: Deus já amava Israel ou só amaria eles quando eles passassem a obedecer e confiar nEle?

A primeira coisa que eu aprendi com a Bíblia é que dificilmente conseguiremos esgotá-la em seu conteúdo. Sempre teremos mais a aprender. A segunda coisa que aprendi é que, sempre que vemos uma aparente contradição em um texto escrito pelo mesmo autor, devemos analisar se estamos diante de uma das duas situações: ou o autor é um doente mental tão grave a ponto de não conseguir manter a coerência em um simples raciocínio, ou nós ainda não entendemos o que ele quis dizer. Tenho segurança em dizer que nem mesmo os melhores psiquiatras e psicólogos do mundo conseguem duvidar da sanidade de João e Moisés. Certamente estamos diante da segunda situação.

Mas e como podemos resolver esse aparente conflito dentro do conceito do Amor de Deus? Teólogos têm falado sobre os aspectos “subjetivo e objetivo” do Amor de Deus e de que ele é melhor definido como “pré-condicional”.

Esqueça esses termos por um instante e pense comigo na seguinte situação: imagine que eu tenha comprado um presente para você. Eu não te conheço. E não é seu aniversário. Mas eu comprei um presente mesmo assim e quero muito entregá-lo. “Por quê?”, você pode se perguntar. Porque é um presente muito bom e eu gostaria que você desfrutasse dele. Digamos então que, por qualquer que seja o seu motivo, você se negue a receber o presente. O que acontecerá com o presente? Ele deixará de existir? Não, pois o fato de você não receber não o faz desaparecer. Mas ele existirá em sua vida? Você o possuirá? Poderá aproveitar ele? Curiosamente, a resposta para essa questão também é não. Em aspectos ligeiramente diferentes e não contraditórios, o presente tanto continua existindo como também não tem nenhum impacto na sua vida.

Assim é o Amor de Deus segundo apresentado nas Escrituras. Deus livremente nos ama, a disposição de amar é totalmente incondicional, é o presente já comprado e embrulhado para ser entregue, é o aspecto subjetivo do Amor de Deus. Ao mesmo tempo, esse amor não fará nenhuma diferença em nossa vida se não O aceitarmos. E, nesse caso, há uma condição: precisamos tomar o presente, abrir a caixa e desfrutar dele – esse é o aspecto objetivo do Amor de Deus.

Você consegue entender a maravilha e o escândalo dessa ideia?

É maravilhoso que o Amor Divino surja por uma decisão do próprio Deus, uma disposição inteiramente bondosa de se relacionar conosco. Mas é escandaloso que o Criador do Universo se submeta a nossa vontade nesse ponto. Ele Se humilha, Ele nos busca, tenta nos conquistar com seus impulsos paternais. E te deixa livre para rejeitá-lo se quiser.

Qual será a sua decisão hoje?

Sugestão de leitura: The Love Of God – A Canonical Model (John C. Peckham)

Eu tinha apenas dez anos e estava na frente da televisão em 12 de maio de 2001. Comecei o dia das mães comemorando com nossa televisão, ao lado de meu pai, acompanhando o GP da Áustria de Fórmula 1.

Por influência do meu pai, eu era um fã de Rubens Barrichelo e o acompanhava nas manhãs de domingo. Aquele era um final de semana de um trabalho quase perfeito de Rubinho: tinha feito a volta mais rápida no sábado e ganhou o direito de largar na primeira posição daquela prova.

Durante toda a corrida, foi soberano, sempre flertando com a bandeira quadriculada, não havendo ninguém em sua frente. Seu companheiro de Ferrari, Michael Schumacher, havia ganhado 4 das 5 primeiras provas e liderava o campeonato com certa folga.

A Ferrari, sua equipe, envia uma notícia no rádio nada alegre para o brasileiro,  ordenando-o a deixar o Schumi o ultrapassar para que abrisse ainda mais vantagem no campeonato.

O Rubinho discutiu por algum tempo com sua equipe, tentando manter sua vitória, se negando, a priori, a reeditar o que havia acontecido há um ano, quando ele teria recebido a mesma ordem e concedido a segunda posição para o Alemão, no mesmo circuito.

Nós, espectadores, não sabíamos disso e na última volta estávamos ansiosos para ouvir o “Tema da Vitória” pela brilhante condução do brasileiro. Cléber Machado, conhecido narrador, estava na mesma expectativa. Até que na última curva o Rubinho permanece na frente e podemos ouvir a narração de Cléber Machado, que feliz gritava: HOJE NÃO, HOJE NÃO…

Mas, logo após a última curva, Rubens cede ao pedido da equipe italiana e concede o primeiro lugar a Schumacher, oportunidade em que Cléber desabafa: “Hoje sim… Hoje sim??”. A equipe italiana então é altamente vaiada por todo o público que indignado não acreditava no que via.

Naquela manhã de domingo, ao chegar ao pódio, M. Schumacher não quis subir no alto do pódio e cedeu o seu lugar a Rubinho que, extraoficialmente, tinha vencido aquela prova, ficando com as honrarias do dia.

Pois é. Parece que aquele final de semana a Fórmula 1 quis retratar o que, muitas vezes, ocorre em nosso cotidiano. E a bíblia nos diz, por intermédio de Salomão (Eclesiastes 9:11), assim:

“Percebi ainda outra coisa debaixo do sol: Os velozes nem sempre vencem a corrida; Os fortes nem sempre triunfam na guerra; os sábios nem sempre têm comida; os prudentes nem sempre são ricos; os instruídos nem sempre têm prestígio; pois o tempo e o acaso afetam a todos”.

Somos cercados pela “meritocracia”, onde tudo o que fazemos tem a sua retribuição e, quando nos vemos em situação que essa ação (fazer) não gera uma reação (alcançar o alvo), ficamos certamente desacreditados e decepcionados pela realidade.

Acredito que foi assim que Rubinho deve ter se sentido naquela manhã. Ele tinha feito tudo certinho, tinha dado o seu melhor, mas, mesmo assim, não venceu a corrida; ele tinha sido o mais veloz por todo final de semana, mas não triunfou.

O perigo para nossas vidas ocorre quando colocamos essa expectativa em nossa relação com Deus e acabamos “barganhando” com nosso Pai. Sim, corremos o perigo de muitas vezes acharmos que somos os mais velozes e que a vitória é nossa merecidamente.

A vitória pode e é profetizada para ser nossa, mas o mérito não. A vitória dessa Grande Corrida no Autódromo “Terra” foi decretada para Jesus. Ele correu todo o caminho impecavelmente e venceu dolorosamente a corrida. E, por seu imenso amor, ele ofereceu nos conceder o lugar mais alto do pódio, mas, diferente do Rubinho naquele final de semana, sem nenhum mérito.

Nada que eu fizer vai me levar ao primeiro lugar por meus méritos, mas pelo que Cristo fez, por Sua Graça, posso me tornar o vencedor. Como? “Creia no Senhor Jesus, e serão salvos, você e os de sua casa”. At. 16:31

Já estamos quase na volta 6.000 dessa corrida e pode ser que você se encontre no último lugar, já quase sem gasolina. Mas, amigo, saiba que a vitória pode ser sua. Basta aceitar Jesus como seu salvador e o lugar mais alto do pódio será seu.

A mudança é algo que mexe muito com a gente, né? E ela pode ter dois tipos de efeitos imediatos na nossa vida: ou nos coloca no eixo ou nos tira dele.

Passamos a vida tentando correr das mudanças, mas, à medida em que corremos, ela vem para mais próximo de nós. Parece que esta ligação de “mudança” é inerente ao ser humano. Quer dizer, parece não…é. Mudar muitas vezes é chato, ficamos estressados e leva tempo, pois nos tira da zona de conforto e de conhecimento.

Para p’ra pensar quantas vezes você já mudou algo na sua vida: de emprego, de casa, de igreja, deixou amigos, familiares…fez aquele corte de cabelo radical, reeducou a sua alimentação e entre tantas outras coisas. Antes da mudança te deu aquela preocupação, não foi? O fato de não saber o que vai acontecer efetivamente nos deixa vulneráveis e isso faz, muitas vezes, nos autobloquearmos, dificultando ainda mais este processo.

Em contrapartida, para p´ra pensar como você está hoje. Bem melhor do que ontem, né? Seus pensamentos estão mais maduros, suas responsabilidades estão maiores, fez outros amigos…ou seja, tudo que você tem hoje foi devido as mudanças que ocorreram na sua vida. Talvez você esteja pensando: “Não, eu não estou bem hoje. Estava bem melhor ontem”. E isso é muito provável que aconteça.

A boa notícia é que conheço alguém estava bem melhor “no ontem” dele. E acho que você também o conhece. O nome dele é Jesus (se você não conhece ele por esse nome, ele também responde por outros nomes, tais como: Cristo, O Messias, Filho do Homem, etc.) e, “no ontem”, ele morava plenamente no céu ao lado de Deus. E ele mudou! Mudou de casa, de amigos, teve um emprego novo…sofreu muito a vida toda e não teve descanso um dia sequer. Acredita? E foi por conta dessa mudança que Ele fez “no ontem” é que hoje podemos mudar sem medo, sem nos preocuparmos com o amanhã.

Antes que pensem que isto é apenas um escrito qualquer de uma pessoa que não fala com conhecimento de causa, prazer, me chamo Dalton Leça e casei, mudei de casa, deixei meus familiares e amigos noutro estado, mudei de emprego…tudo isso num período de 15 dias. Acredita! Toda mudança é sempre válida, basta que nós possamos atribuir um significado positivo para ela. Que tal você já planejar as mudanças que quer nas esferas da sua vida desse novo ano dezenove?

Abraços!