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Primazia

Meu pai, em momentos mais carregados de significado e emoção, gosta de me declarar sua primogênita. Tal nomenclatura sempre me foi interessante e de uma tônica especialmente zelosa, mesmo que menos relevante para mim mesma do que sentia ser para ele. Entendo assim, especialmente porque fico desconfortável em ter um título que coloca meu irmão naturalmente numa posição secundária.
Pontuaria ainda que salvo as belas exceções, primogênitos na Bíblia não foram figuras espiritualmente relevantes e sim gente que sumariamente vendeu o amor que ganhou, mesmo que o presente viesse embrulhado em laços e fitas. Tal constatação por si só explica a razão do amor de Deus não se limitar a tradições culturais. Nossa exclusiva filiação com o Senhor não conhece limites: nem os nossos, nem os do outro ou ainda aqueles construídos pelo meio.
Contrapondo essa primeira análise, fazendo uso de um discurso conhecidíssimo mas hoje visto de modo singular, encontro finalmente algo que explique o amor do meu pai por mim a cada declaração de primogenitura que ele me faz; algo que conte de maneira minimamente tangível, sobre o que significou na relação dos meus pais com Deus, ambos escolherem dedicar seus frutos mais preciosos a Ele, todos eles, o primeiro e o último. Finalmente, descortinou-se para mim o que significou ter sido devolvida ao Senhor. Nenhum pedaço meu é meu exclusivamente. Tudo o que sou, tenho e faço acontece por e para Aquele que me fez existir, unicamente por me amar e querer demais.
Devolver-me inteira e diariamente a Ele, quando visualizo ou não bençãos nessa entrega voluntária: que racional, abnegado e doce desafio!
Quando não houver nada para dar, ainda há o que entregar: você. 
Não foi esse o princípio da dádiva plena do Pai por meio de Jesus?
“Jacó pensara em obter o direito aos privilégios da primogenitura por meio do engano, mas viu-se desapontado. Achou que tinha perdido tudo, sua ligação com Deus, seu lar, tudo; e ali estava ele, um fugitivo frustrado. Mas o que fez Deus? Olhou para ele em sua condição desesperançada, viu-lhe o desapontamento e entendeu que ali havia material que ainda poderia render glória a Deus”. CT, 89
Precioso, não?
O vídeo a seguir completa a ideia:
Priscila Monteiro

Psicóloga, viva pela liberdade de ser outras tantas coisas além disso. Fascinada pelas letras, pela arte e o subjetivo. Afeita aos olhares amáveis, às aventuras e às risadas desconcertantes. Militante da simplicidade e do silêncio. Incansável na caminhada cristã. É assim desde que nasceu, há 30 anos.

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