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Uma paixão arrebatadora

“Deus não precisava ter criado o mundo. Ele não precisava de outros para poder amar” (T. F Torrence)

Continuamos falando sobre o Amor de Deus como apresentado na Bíblia (leia o primeiro texto aqui http://blog.primeiraessencia.org/a-doutrina-mais-dificil/ ).  E, hoje, quero frisar um aspecto que é muito importante para a nossa compreensão desse tema. Esse aspecto é muito enfatizado em toda a Bíblia. O teólogo John C. Peckham o chama de “volitivo”.

Ficará mais fácil ao observarmos Ex. 33:19: “E Deus respondeu: “Diante de você farei passar toda a minha bondade, e diante de você proclamarei o meu nome: o Senhor. Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia, e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão”.

É natural que compreendamos esses versos como se Deus estivesse falando de uma maneira egoística. Mas devemos buscar entender essas palavras dentro do seu contexto geral. Em que momento Deus disse isso?

Se você ler os capítulos 32 e 33 do livro de Êxodo, notará que estamos aqui momentos após a fuga do povo de Israel do Egito. Moisés havia subido o monte para receber orientações de Deus e o povo começou a ficar impaciente com a demora.

Achando que o seu líder não voltaria, o povo montou o famoso “bezerro de ouro”, um ídolo representando “deuses”. Não vou me deter na razão de isso ser errado. Mas, de fato, por toda a Bíblia somos informados de que o Deus Verdadeiro abomina toda a qualquer forma de idolatria. É um erro terrível que com certeza colocaria um empecilho no relacionamento de Deus com o povo de Israel. E agora, o que aconteceria com eles?

Moisés retorna, destrói o bezerro, repreende o povo por ter feito aquilo e então começa a falar com Deus novamente. E o que vemos aqui é um dos diálogos mais interessantes de toda a Bíblia.

“Senhor, perdoa esse povo”, pede o cansado líder. “Perdoa-lhes ou risque meu nome também”, ele completa. Deus responde: “Eu só risco o nome daqueles que me rejeitarem e você não me rejeitou”.

Após algum tempo de conversa, Deus diz: “Vocês vão para a Terra Prometida, mas não vou poder ir com vocês. Esse povo é muito inconstante. Um anjo vai com vocês”. Mas Moisés continuou: “Não é suficiente. Quero conhecer os Teus caminhos. Quero Te conhecer. Se a Tua presença não for comigo, não quero nem sair deste lugar”.

Penso que Deus estava aguardando esse diálogo para poder ensinar o que está por vir. Ele, então, diz ao líder hebreu que irá com eles. Moisés então quer uma prova de que Deus realmente estava aceitando aquele povo de novo. E faz o pedido mais ousado que alguém já fez: “Quero ver a Tua glória”.

É nesse momento que Deus profere as palavras do verso 19: “Diante de você farei passar toda a minha bondade, e diante de você proclamarei o meu nome: o Senhor. Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia, e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão”.

Aqui Deus garante que vai atender ao pedido de Moisés. Ele perdoara o povo. Ele os aceitara novamente. Como prova disso, Moisés veria “toda a bondade” de Deus passar diante dele. E você talvez esteja se perguntando: “Mas por que Deus perdoaria aquele povo que havia acabado de se desviar?”.

Se você está pensando que eles não eram merecedores da compaixão de Deus, você está certo. Eles não eram merecedores de nada. Eles haviam errado. Mas Deus “queria” ter misericórdia deles, Ele “queria” ter compaixão. E esse é o aspecto volitivo do Amor de Deus. Deus escolhe amar as pessoas.

E qual a importância disso para você? Bom, a Bíblia também diz que Deus ama todo mundo – incluindo VOCÊ (João 3:16). E Ele escolheu te amar. Isso não é um acidente. Não é uma “paixão de adolescente” que “simplesmente surgiu”. Ele planejou e escolheu te amar.

E não é uma besteira que você fez que vai mudar esse fato. Então, tire da sua mente essa ideia de que Deus te abandonou. Tire da sua mente HOJE essa imagem de um deus que está sempre esperando você errar para te dar uma rasteira e ficar rindo da sua cara.

Como o teólogo inglês J. I. Packer disse: “Se você tem se resignado com o pensamento de que Deus o deixou de lado, busque a graça de se sentir envergonhado”.

Envergonhe-se sim de ter algum dia pensando tão pouco de Deus e do Seu Amor. Ele tomou uma decisão muito firme de te amar.

O Amor de Deus é volitivo, mas não é apenas isso. Nos próximos textos, falaremos mais sobre outros aspectos…

Sugestão de leitura: O Conhecimento de Deus, J. I. Packer

Fernando Monteiro

Olá. Meu nome é Fernando. Sou médico-residente em Psiquiatria. Gosto muito de ler. Meus temas preferidos são: Religião, Filosofia, Cultura, Política e Medicina.

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